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sábado, 28 de março de 2015

SESSÃO NOSTALGIA - Solange Medina (Solange Dutra Novelli), Rainha do IV Centenário do Rio de Janeiro, e Rafaella Lemes, Rainha Rio 450

Daslan Melo Lima        

     

      
      Naquele  13 de fevereiro de 1965, no Maracanãzinho, Solange Dutra Novelli, 18 anos a completar no mês de maio, foi eleita  Rainha do IV Centenário do Rio de Janeiro. Natural do bairro de Laranjeiras, Solange morava em Copacabana e representou a região administrativa de Botafogo, que incluía Flamengo e Catete. Cursava o 2º ano clássico no Colégio Andrews e falava corretamente inglês, francês e italiano. Gostava de rosas vermelhas, de praia, dos romances de Jorge Amado e dos poemas de Castro Alves.  
  Solange Dutra Novelli, em foto de Leo Martins, http://ela.oglobo.globo.com , hoje Solange Medina, cinquenta anos depois, arquiteta, esposa de Rubem Medina, três filhos. 

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AS MEMÓRIAS DE SOLANGE, 
                RAINHA DO IV CENTENÁRIO DO RIO DE JANEIRO                                
      
Conta um pouquinho sobre como foi feito o convite pra participar do concurso. - A história é que, naquela época, foi criado o concurso a partir das Regiões Administrativas do Rio, né? A minha era a 4ª Região Administrativa e eu concorri com outras candidatas… Cada bairro tinha uma candidata. Botafogo, Flamengo, no meu caso, Laranjeiras… E aí saía uma candidata dessas Regiões Administrativas, uma candidata ao concurso. Eu fui convidada pelo administrador regional da 4ª Região Administrativa, na época, Doutor Bagueira Leal.
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Você ficou um pouco receosa ao aceitar ou já era algo que você queria muito? - Eu nunca tinha pensado e me pegou de surpresa. A princípio eu não gostei da ideia, porque eu estava de férias, tinha meu grupo do Castelinho, de sair, de passear e tal. E com o concurso você tinha os compromissos que absorviam sua agenda. No dia em que eu me inscrevi, ainda perguntei: “E se eu desistir? Eu posso sair?” Aí eles disseram: “Pode”. E eu falei: “Então tá bom, nessa condição eu entro”
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O que passava pela sua cabeça no dia da cerimônia? - No dia da cerimônia, eu confesso pra você que eu já estava tão cansada daquela programação, tão exaurida, que eu já queria que chegasse a hora do concurso acontecer praquilo acabar e eu me livrar do concurso. Eu realmente não imaginava que eu fosse ser eleita! Eu só queria me ver livre daquilo. E acabou que fiquei mais amarrada.
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E como ficou sua vida depois do concurso? - Eu até tentei que ela continuasse normal, eu voltei pro colégio… Cheguei a estudar uns dois meses, talvez até um pouco mais. Mas havia os horários dos compromissos, que foram muito intensos, porque foi um calendário cheio de eventos o ano inteiro, e eu havia me comprometido a estar… Então, vai cortar o bolo do IV Centenário no Maracanãzinho com o Carlos Lacerda, como é que você diz que não pode ir? Tem o Festival do Filme e você tem que abrir junto com o governador. Aí eu comecei a faltar muito o colégio e vi que não ia dar certo, eu ia fazer as duas coisas mal, e acabei trancando a matrícula aquele ano, parei de estudar pra me dedicar aos compromissos e aí só no ano seguinte é que voltei a estudar.
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Seus pais ficaram chateados com o fato de você ter que abrir mão do estudo naquele ano? - Não, na verdade, eles foram os grandes incentivadores. Meu pai tinha um cliente no banco em que trabalhava que era o prefeitinho de Botafogo. Ele e a mulher disseram para minha mãe que o concurso de rainha do IV Centenário era diferente do concurso de miss porque seria para a vida toda, para os próximos 100 anos. Foi esse argumento que me fez seguir em frente.
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Quando você foi eleita, já falava francês, inglês e italiano. Como você vê a importância do conhecimento (seja de outras línguas ou cultural) para uma pessoa que vai representar a cidade do Rio de Janeiro? - Você tem contato com tanta gente, se apresenta em tantos lugares… Não pode ser só beleza. Tem que ter conteúdo também.
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Quais responsabilidades a mulher mais bonita da cidade tem? - É a agenda oficial, o calendário do Rio, das comemorações. Vamos supor: um simpósio de turismo, eu ia fazer a abertura do simpósio, tava presente durante a abertura. No Festival do Filme, eu recebia os artistas no aeroporto, os mais importantes. No Carnaval, a Rainha do IV Centenário estava presente. Ia ao Teatro Municipal, ao Copacabana Palace, Golden Room, enfim, aqueles bailes tradicionais que existiam na cidade. Tirava fotos com personalidades. Enfim, era uma figura tipo uma hostess, pra recepcionar as pessoas nos eventos oficiais da cidade.
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Houve algum fato engraçado ou inusitado durante o processo preparatório? - Que eu me lembre, durante não, mas o dia mesmo da eleição foi muito polêmico, repercutiu demais nas semanas seguintes, porque o júri se dividiu. Alguém disse que uma loira não poderia representar a cidade do Rio de Janeiro. E aí a Martha Rocha e a Terezinha Morango (ex-misses do Brasil), que também faziam parte do júri, se revoltaram com aquilo e disseram: “Ué, como não? Se nós representamos o Brasil, porque ela não pode representar o Rio?” Aí a coisa ficou polêmica, porque, ao invés de dar a nota, digamos assim, dentro de um critério que ia de um até dez, elas começaram a agir como “Ah, não! O meu é 10 e zero pras outras.”, pra fazer o esforço de prevalecer aquilo que elas queriam. E aí, quem não queria também dava 10 pra outra e zero pra mim. Isso aí depois saiu, na semana seguinte, no Cruzeiro, na Fatos e Fotos, na Manchete, com todo esse tititi, essa confusão. Mas aí eu acabei ganhando.
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E o que significa o Rio de Janeiro pra você, como representante atual da cidade? Afinal de contas o título ainda é seu! - É a cidade que eu amo. Eu já viajei bastante, já tive a oportunidade de ir pra Europa, Estados Unidos, Ásia, África, mas como o Rio não tem nada igual. De beleza natural… Tem cidades bonitas, mas como o Rio não tem nada igual. Eu acho que é uma cidade que tem problemas, como todas tem, mas que o lado positivo dela, o astral dela, a beleza dela, esse mar, esse céu, essas montanhas… tudo isso compensa os probleminhas que a gente vive aqui no dia a dia. Eu amo o Rio. Sou apaixonada pelo Rio. E cada vez que eu chego de viagem, que o avião vai chegando perto, é como se eu tivesse vendo pela primeira vez, admirando pela primeira vez.
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Que dica você deixaria pras candidatas no Rainha Rio 450? - Não existe nenhuma dica prática. Cada uma deve ser ela mesma, jogar o máximo de charme possível e ter sorte.
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Que recado você deixaria pras candidatas no concurso Rainha 450? - Eu acho que, apesar de não ter sido um sonho meu ser miss, Rainha do IV Centenário, eu acho que foi uma fase bonita da minha vida, foi um ano bonito, em que coisas aconteceram. Eu na época era muito jovem pra poder valorizar, mas à medida que o tempo foi passando, que eu olhei pra trás, eu reconheci o valor de cada uma dessas experiências. Então, que elas tentem enxergar e aproveitar o máximo possível.
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RAFAELLA LEMES, 
RAINHA DOS 450 ANOS DO RIO DE JANEIRO

         

      Rafaella Lemes, de 22 anos, moradora da Rocinha, foi eleita, na noite do sábado, 17 de janeiro, a rainha dos 450 anos do Rio. A coroação foi realizada no Centro Cultural João Nogueira (Imperator), no Méier, e teve o cantor Toni Garrido como mestre de cerimônias. Rafaella era uma das 300 cariocas inscritas no concurso Rainha Rio450 e foi uma das 32 que chegaram à final. Cada uma delas representava uma região administrativa da cidade. A vencedora ganhou um carro zero quilômetro. “É um orgulho representar o Rio, quando a cidade completa seus 450 anos, e a Rocinha, onde nasci e me criei “, disse a jovem, que tem 1,75m. Para o presidente do Comitê Rio450, Marcelo Calero, Rafaella, com sua beleza, desenvoltura e espontaneidade, representa com propriedade a carioquice.  “Ela está preparada para o seu longo reinado de 50 anos” — disse Calero.

        O concurso, aberto com um espetáculo de balé conduzido por Carlinhos de Jesus, foi uma reedição comemorativa do Rainha do IV Centenário, realizado em 1965 quando Solange Dutra Novelli foi coroada. “Desde o primeiro momento que vi a Rafaella, foi a minha favorita. Além de bonita, ela tem um belo sorriso e muita simpatia. É realmente uma rainha”, disse Solange, que foi uma das juradas da edição do concurso de 2015.
  
     
Foto: Raphael Lima/ PMRJ
Às 6h da matina, quando abre os olhos, Rafaella Lemes desperta para a paisagem carioca. A Pedra da Gávea surge imensa ao seu lado e, lá embaixo, o mar se perde no horizonte. “Minha vontade é de subir na mesma hora para fazer ioga na laje”, diz a Rainha dos 450 anos do Rio, eleita em concurso promovido pela prefeitura, sobre uma de suas atividades preferidas.
      Nascida e criada na Rocinha, Rafaella, 22 anos, faz da imensa comunidade sua área de lazer, dos restaurantes aos equipamentos culturais. A musa considera as praias do Rio imbatíveis, mas também circula pelo verde de Santa Teresa, encantada com o casario histórico do bairro.  Longe de sua laje no topo do morro, os movimentos são outros, e a ioga abre espaço para o requebrado. Ela ama dançar e não sai da pista quando vai ao baile charme no Viaduto de Madureira, ou ao hip hop da Lapa.    
      “A música me seduz, e danço da maneira com que meu corpo se expressar na hora. A mulher do Rio tem suingue”, exalta. No Jardim Botânico e no calçadão da Praia de São Conrado, faixa de areia onde desfila volta e meia sua beleza, ela se sente em casa. E não dá trela para o calor. “Amo o verão. O Rio é isso, uma cidade onde até o inverno é cheio de sol.” Para refrescar, a mesa deve ser leve e requintada, e o restaurante japonês Via Japa, situado na Via Ápia, a rua principal da Rocinha, ganha a preferência.  
      A cultura também é citada na favela, onde a Biblioteca Parque conjuga bons livros e exibição de filmes. A quadra do Laboriaux, na comunidade, serviu a bailes da adolescência, mas hoje é palco de atividades esportivas. “É onde jogo vôlei com os amigos”, conta Rafaella.  Longe de São Conrado, mas também sobre o relevo das montanhas do Rio, um passeio em Santa Teresa relaxa e revela faces dos 450 anos que serão comemorados amanhã. “Tem bares ótimos e é também um lugar histórico, com os casarões antigos”, explica. E resume, no espírito do concurso onde foi eleita rainha: “A beleza carioca esculacha.”  Com  vista para o Morro Dois Irmãos e o mar, a laje de Rafaella é perfeita para a prática de ioga quando o dia amanhece. Quadra do Laboriaux. A região fica no alto da Rocinha, frequentada por moradores, e é lá que a Rainha joga vôlei com seus amigos.  ***** http://odia.ig.com.br/

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Rafaella x Solangerainhas cariocas da Cidade Maravilhosa. 

      Duas rainhas, duas realidades distintas. Rafaella Lemes, Rainha do Rio 450, moradora da Rocinha, 1,75 de altura, ganhou um carro zero quilometro. Em 1965, ao ser eleita Rainha do IV Centenário, Solange Dutra Novelli, 1,65 de altura, morava em Copacabana e recebeu 3 milhões de cruzeiros, viagens pelo Brasil e Estados Unidos. Da quantia recebida como prêmio, doou 500 mil a uma instituição filantrópica. 
      Para recordar como foi o concurso de 1965, que elegeu Solange Rainha do IV Centenário do Rio de Janeiro, basta um clique neste linkhttp://passarelacultural.blogspot.co.uk/2008/10/sesso-nostalgia.html

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Um comentário:

Anônimo disse...

Daslan, pelo que Solange Dutra Noveli vivenciou e sentiu preconceito por ser loura e de olhos azuis ao ser eleita Rainha do IV Centenário do Rio de Janeiro, o racismo não acontece apenas com as misses de etnia negra ou afrodescendente.

Infelizmente em nosso país o preconceito é uma mazela que nunca será extirpada nem banida.

Duas belas cariocas dignas de representar a boa gente da Cidade Maravilhosa.

Muciolo Ferreira