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SEJA BEM-VINDO ! SEJA BEM-VINDA! VOCÊ ESTÁ NO BLOG PASSARELA CULTURAL, cujas postagens, na maioria das vezes, são postadas aos sábados e domingos. Nossa trajetória começou em 02/07/2004, com o nome de Timbaconexão, como coluna sociocultural do extinto site de entretenimento Timbafest. Em 12/10/2007, Timbaconexão migrou para blog com o nome de PASSARELA CULTURAL, quando teve início a contagem de visitas. ***** Editor: DASLAN MELO LIMA - Timbaúba, Pernambuco, Brasil. ***** Contatos : (81) 9-9612.0904 (Tim / WhatsApp). E-mail: daslanlima@gmail.com

domingo, 24 de março de 2019

Porque eu canto


"Diz-me, ó poeta", poema de Rainer Maria Rilke, tem tudo a ver comigo neste março de São José e das águas fechando o verão. 
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Diz-me, poeta, o que fazes?
Eu canto.

Porém a morte e todo o desencanto,
como os suportas e aceitas? 
Eu canto.

O inominado e o anônimo, no entanto,
como os consegues nomear? 
Eu canto.

Que direito te faz, em qualquer canto,
máscara ou veste, ser veraz? 
Eu canto.

Como o silêncio dos astros e o espanto
dos raios te conhecem?
Porque eu canto.
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Porque eu canto, desejo a você, leitor, leitora, muita fé em Deus e dias iluminados,  poeticamente e espiritualmente iluminados.
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Daslan Melo Lima - Timbaúba, PE, 18/03/2019
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VOCÊ SABE QUE DIA É HOJE?




Vejo chegar este dia com minh'alma transbordante de nostalgia. Longe do lugar onde nascemos, quando chegava o dia 19 de março, Ana, minha Mãe, se aproximava de mim e indagava: “Você sabe que dia é hoje, meu filho? É dia de São José, padroeiro da nossa terra”
          Seus olhos ficavam inundados de lágrimas e ela cantarolava o estribilho do hino do padroeiro da nossa alagoana São José da Laje: “Sê doçura na paz, no abandono, / o amigo fiel de verdade. / Oh! José da Igreja patrono, / e patrono da nossa cidade.” 
          Durante o longo período em que Mamãe conviveu com sequelas de um AVC, todos os anos, no dia 19 de março, eu me dirigia a ela com uma imagem do santo: “A senhora sabe que dia é hoje, minha Mãe?” Eu chorava diante de sua indiferença e cantava: “Sê doçura na paz, no abandono, / o amigo fiel de verdade. / Oh! José da Igreja patrono, / e patrono da nossa cidade.” 
         Hoje, diante de dois quadros na parede, resta-me administrar as emoções que ficaram de todos os meses de março.
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Daslan Melo Lima, em Timbaúba, Pernambuco, no Dia de São José, 19/03/2019.

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SÃO JOSÉ DA LAJE, ALAGOAS,  14 DE MARÇO DE 1969, UMA MADRUGADA PARA ESQUECER


Na madrugada de 14 de março de 1969, o rio Canhoto cismou que poderia ser mar. São José da Laje, a cidadezinha alagoana onde nasci, dormia tranquila quando uma tromba d’água transformou o rio num oceano furioso. Gritos, desespero, pânico, lágrimas, destruição. Tal qual um tsunami, casas, ruas e vidas foram arrastadas pelas águas. .A tragédia, um dos maiores desastres naturais da história, foi notícia no mundo inteiro. . 
          Nesta madrugada de 14 de março de 2019, cumpro um ritual silencioso diante de duas testemunhas mudas daquele pesadelo: um quadro e um banco que escaparam da tragédia. 
          O quadro, um vitral onde se lê “Jesus Cristo reina n’esta casa”, pertenceu a minha tia Lizete Macedo de Melo, que residia na rua do Zumbi, imediações da localidade Passagem de Maceió. O banco fez parte do mobiliário da Loja São José, casa comercial de José Francisco da Silva (Galego) e da sua esposa Soledade Lima (tia Dade).
          Diante destas relíquias, não rezo pelas almas dos que se foram, pois na dimensão onde se encontram suas dores já se diluíram em louvores. Agradeço a DEUS pelo consolo dado aos que escaparam e pela força que até aqui Ele nos concedeu para administrar os traumas que ficaram. 

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Daslan Melo Lima, em Timbaúba-PE, 14/03/2019, administrando velhas emoções inacabadas, cinquenta anos depois.

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DA PRÓXIMA VEZ QUE CHOVER



"Olho para a chuva que não quer cessar. / Nela vejo o meu amor. / Esta chuva ingrata que não vai parar, / pra aliviar a minha dor." Assim começa uma das mais belas canções românticas de todos os tempos, gravada pela primeira vez em português por Demétrius, um dos ídolos da Jovem Guarda, falecido no inicio desta noite, em São Paulo. 
          O menino sonhador que um dia fui (e que continuou sendo) teceu mil fantasias ao som de "O Ritmo da Chuva". "Eu sei que o meu amor pra muito longe foi, / numa chuva que caiu. / Oh gente por favor pra ela vai contar / que o meu coração se partiu."
          A imagem de Demétrius, num velho álbum em preto e branco, parece dizer que o tempo não passou. "Chuva traga o meu benzinho, / pois preciso de carinho. / Diga a ela pra não me deixar triste assim."

          Da próxima vez que chover, vou precisar redobrar a administração das minhas emoções inacabadas. O mundo encolhe toda vez que um referencial importante das nossas vidas se parte, se vai, se torna invisível. "O ritmo dos pingos ao cair no chão, / só me deixa relembrar. / Tomara que eu não fique a esperar em vão, / por ela que me faz chorar. / Oh chuva traga o meu amor. / Chove chuva, traga o meu amor. / Ouça-me, chuva, traga por favor."
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Daslan Melo Lima, em Timbaúba, Pernambuco, 11/03/2019, enquanto ouço "O Ritmo da Chuva", https://www.youtube.com/watch…

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LEÃO DO NORTE




O feriado da Data Magna de Pernambuco coincidiu com a Quarta-feira de Cinzas. A Data Magna remete à Revolução Pernambucana de 1817, cujo objetivo era ficar independente da corte portuguesa. 

          Na cidade de Carpina, a 50 quilômetros de Timbaúba, diante do monumento que rende tributo ao "Leão do Norte", como é conhecido o meu estado adotivo, sinto-me tão pernambucano como alagoano, pois um dos castigos impostos a Pernambuco foi perder as terras de Alagoas, estado onde nasci.
        Parece que ouço ao longe aquela música de Lenine. Tenho de me controlar para não sair dançando e cantando pelas ruas de Carpina, que um dia se chamou Floresta dos Leões: "... eu sou mameluco, sou de Casa Forte, / sou de Pernambuco, eu sou o Leão do Norte..." 
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Daslan Melo Lima - Carpina, PE, 18/03/2019.

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DE TIMBAÚBA PARA O MUINDO - De olho no dia a dia


PASSAGEM EM MARÇO


No Carnaval do ano passado, ele chegou na praça com seu porte altivo e sereno, trazendo na cabeça um arranjo verde e amarelo. Pedi para fotografá-lo sem saber que seria a primeira e última foto que faria do senhor Plácido Alexandre de Albuquerque, um dos moradores mais antigos do meu bairro.

          Há meses acometido de uma enfermidade grave, ele não teve ânimo para apreciar o carnaval deste ano. "Seu" Placinho partiu para a Grande Viagem na madrugada deste sábado de março de São José e das águas fechando o verão. 

          Para minhas amigas Patricia, Paula, Polyne e Pollyana, frutos do amor incondicional da inesquecivel Iraci por Plácido, os meus sentimentos e a certeza de que a existência segue e se renova envolta nos mistérios da vida e da morte. 

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Daslan Melo Lima, março de São José, em Timbaubinha, Timbaúba, Pernambuco, 23/03/2019.

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DILEMA LUNAR


Não sei se a Lua deseja descer para cheirar as flores ou se as flores desejam subir para abraçar a Lua. Talvez a Lua esteja cansada de desfilar solitária, soberana, majestosa e nua. Talvez as flores estejam cansadas de serem usadas para enfeitar a vida e a morte. 
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Daslan Melo Lima, após pausa para fotografar a Lua na Rua Zulmira de A. Borba, bairro de Timbaubinha, Timbaúba, Pernambuco, 20/03/2019.
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C'EST LA VIE





Ontem à tarde, acompanhei o cortejo fúnebre de dona Marina, 90 anos de idade, mãe do meu amigo Severino Joaquim, à esquerda. Nesta noite de sábado, no Imperial Buffet, em Itabaiana, Paraíba, encontrei Joaquim na festinha de aniversário de um ano de vida de Maria Laura, filha do nosso amigo Márcio Apolinário, à direita.

          Um amigo e sua dose de melancolia, diante da Grande Viagem de um ser amado que foi cumprir uma nova missão em outra dimensão. Um outro amigo com sua dose de alegria, diante de um ser amado com uma estrada ainda a percorrer. 

        Vem na minha mente uma expressão famosa que gosto muito: "C'est la vie." Assim é a vida, dizem os franceses. 

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Daslan Melo Lima, meditando sobre os mistérios da vida e da morte, em Timbaúba, Pernambuco, 16/03/2019.
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E POR FALAR EM CULTURA



Após a solenidade de posse da diretoria da subseccional da OAB-PE em Timbaúba, pausa para uma foto. Eu (presidente da Comissão de Cultura), Antônio Apolinário (presidente da subseccional) e Jefferson Leal, ( vice-presidente da Funjader, Fundação Jader de Andrade).

       O assunto é complicado, quando se fala em cultura neste planeta conturbado, pois o Ser, na maioria das vezes, é relegado a segundo plano, em nome do Ter.

     Uma citação de Wiil Durant (1885-1981) filósofo, historiador e escritor estadunidense, permanece atemporal: "Os homens estão mil vezes mais preocupados em ficarem ricos do que adquirirem cultura, embora seja inteiramente certo que aquilo que um homem é contribui mais para sua felicidade do que aquilo que ele tem."
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Daslan Melo Lima, na Câmara Municipal de Vereadores de Timbaúba, PE, 13/03/2019.

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ADEUS, "EMBAIXADOR DO SENEGAL" 



O ano era 1995. Eu trabalhava na agência do BNB, Banco do Nordeste do Brasil, e, na condição de Agente de Desenvolvimento da instituição, acompanhava uma delegação da ONU que tinha vindo de New York para conhecer algumas ações do banco e do PNUD, Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas, na região. 
          Ao chegarmos no palanque de um evento, algumas personalidades já estavam nos aguardando. Entre elas, José Francelino da Silva, o Zezinho Muá, cliente do banco, que lidava com um "brechó", pequena fábrica de calçados.
         Eu estava acostumado a ver Zezinho vestido de forma informal e soltando sua risada generosa, espontânea e contagiante. Mas ali ele parecia outro, formal e sério. Não o reconheci de imediato. Pensei que se tratava de uma autoridade africana que tinha vindo com a comitiva. Quem sabe se não seria o embaixador do Senegal. Minutos depois, vi que se tratava de Zezinho Muá.
         Depois disso, e pelos anos que se seguiram, eu recordava a cena todas as vezes que me encontrava com ele, provocando gargalhadas por parte do "embaixador."
        Zezinho, que gostava de cumprimentar as pessoas com a saudação "Criatura de Jesus" / "Zezinho Muá, na terra, no céu, no ar",  partiu para a Grande Viagem na manhã deste domingo, deixando a cidade consternada. Um desastre de moto apagou o riso do homem bom, simples e otimista, que estaria completando 77 anos de idade amanhã, dia 11. Com certeza, algum dos mundos fantásticos do Pai, para onde ele foi cumprir uma nova missão, estava precisando muito da risada generosa de Zezinho Muá.
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Daslan Melo Lima, no segundo domingo de março/2019, em Timbaúba, Pernambuco, 10/03/2019

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SESSÃO NOSTALGIA – Adalgisa Colombo, Miss Brasil 1958, irreverências e borbulhas de champanhe


Daslan Melo Lima

Adalgisa Colombo 

Está prevista para o próximo mês, na Globo e no Gloplay, a estreia da minissérie Se  eu Fechar os Olhos Agora, escrita por Ricardo Linhares, com direção artística de Carlos Manga Jr, inspirada no livro homônimo de Edney Silvestre. A atriz Mariana Ximenes viverá o papel de Adalgisa Colombo (1940-2013), Miss Distrito Federal, Miss Brasil e vice-Miss Universo 1958.


                            Adalgisa Colombo, Miss Brasil 1958

         No livro “Feliz 1958 – O Ano Que Não Devia Terminar”, de Joaquim Ferreira dos Santos, Editora Record – Rio de Janeiro – 1997, há  várias revelações que dizem muito da personalidade irreverente da carioca Adalgisa Colombo, a manequim da Casa Canadá que se tornou um ícone da beleza brasileira.


       “Fui a primeira miss produzida em laboratório da história. Eu sabia que não tinha os olhos azul-turquesa da Marta Rocha: precisava inventar um diferencial, uma armação que superasse as outras. ”
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        “O maquiador oficial do concurso enchia de pancake as pernas de todas as candidatas, para esconder imperfeições. Aquilo dava um tom horrível à pele, morto. Deixei que o maquiador fizesse o trabalho, mas antes de desfilar fui ao banheiro e tirei tudo, no lugar coloquei óleo Johnson. Deu brilho, sensualidade, um aspecto mais saudável e atraente. ”
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    “Para que as pernas ficassem mais compridas ainda dei uma cavadinha no saiotezinho do maiô. Não era uma peça inteiriça como as de hoje. Vinha com um meio saiote para não deixar muito definido o desenho do sexo da mulher. Com a cavada, a sexualidade também ficou mais evidente e agressiva. ”
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     “As misses adoravam o cabelão nos ombros porque dava um clima mais romântico. Eu desfilei de coque. Era a maneira de valorizar o pescoço, uma parte muito sensual do corpo, e também os ombros. ”
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     “Um dos momentos mais tensos do desfile é quando a candidata vai ao microfone. Desde o ano anterior eu já estava trabalhando na Rádio Globo, com um programa de entrevistas, que era uma maneira de me preparar para o concurso. Me saí bem no teste do microfone, embora tenha sido um pouco agressiva no discurso. Disse que cada um devia se comportar do jeito que a educação lhe recomendasse. ”
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      “Pela primeira vez o concurso tinha uma diretora de desfile, a Maria Augusta, da Socila, uma casa de curso de etiqueta que estava começando naquele ano. Só que eu era uma profissional de desfile, desfilava no estilo francês, e a Maria Augusta inventava umas coisas muito estranhas pras misses. Umas rodadinhas, uns pivôs, que faziam a arquibancada vibrar, mas muito cafonas. Me recusei a fazer as marcacões dela. Desfilei como se estivesse na Canadá.”
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         Adalgisa tinha 1,65m de altura, 56 quilos, 89cm de busto, 61cm de cintura, 21 de tornozelo e 89 de quadris, além de todos aqueles truques que já vimos, mas o concurso de Miss Brasil exigia mais. Exigia uma avaliação, digamos, intelectual das moças nos bastidores. Os juízes passavam por elas e faziam perguntas de conhecimentos e sagacidade gerais. Adalgisa ainda se lembra do momento em que foi sabatinada por Nazaré.
      - "Se o fecho-ecler do seu vestido abrisse no meio do desfile, o que você faria?" – perguntou o ilustre costureiro. Adalgisa de início boquiabriu-se, depois pasmou-se. Enfim respondeu: - "Deixaria aberto, Nazaré. Decotado ficaria bem melhor.''  
       Ouçam o discurso que ela    fez, em inglês, of course, para Robert Kealer, o prefeito de Long Beach, a quem acabara de entregar um chapéu de cangaceiro: “Dizem que este chapéu foi usado por um pistoleiro chamado Lampião, que nossa policia militar matou no interior do Brasil. Mas não tenha medo, senhor prefeito, como o senhor vê, a cabeça dele não foi alvejada, somente o corpo. Coitado! Parecia um paliteiro.”
     Depois das gargalhadas, Adalgisa pediu que Kealer desse uma voltinha. Por alguma associação de imagens, lembrou do prefeito carioca, Negrão de Lima, que usava uma piteira toda empertigada e um chapéu gelô. “O senhor é elegante como o prefeito da minha cidade”, encantou Adalgisa. Virando-se para  a plateia americana, ela encerrou no mesmo tom. “Colombo descobriu vocês. Espero que agora vocês descubram a Colombo."


      Os organizadores do Miss Universo levavam as misses para um tour por Hollywood, sempre uma boa oportunidade de fotos para as revistas e, quem sabe, um romance consagrador para alguma moça. Adalgisa já estava comprometida com um empresário e alto funcionário da embaixada americana. De repente, um dos atores, o mais paparicado de todos, virou-se incomodado para aquela moça blasê. 
- Você não vai me pedir um autógrafo?
- Quem é você?
- Eu sou Hugh O’Brien, o Wyat Earp. Todo mundo me conhece.
 - Nunca ouvi falar, mas escreve aqui.
      O rapaz, que só faria sucesso no Brasil a partir do ano seguinte, com a mesma série, subitamente animou-se e tascou lá o autógrafo no papelzinho. Acreditem no que vem em seguida, porque aconteceu e está sendo contado aqui por primeira vez – e pela própria autora da façanha. “Eu pequei o papelzinho e piquei tudo bem pequenininho na cara dele" – relembra Adalgisa gargalhando. - "Onde já se viu homem tão convencido!"

      Evidentemente, nem todos estavam preparados para tanta autossuficiência. Pelo menos um dos juízes do Miss Universo confessou que foi por aí, por causa dessa arrogância, que o júri preferiu dar o título à colombiana Luz Marina, deixando Adalgisa com o segundo lugar. Foi o desenhista Vargas, famoso pelos desenhos de falsas pin-ups no início da Playboy americana. "Adalgisa perdeu porque deixou a naturalidade de lado"admitiu Vargas. Marta Rocha já tinha perdido porque tentara imitar os gestos e o andar de Marilyn Monroe. Agora é a vez de Adalgisa. Ela desfilou como se fosse a Gisa, modelo internacional. Não pode. A Miss Colômbia era mais espontânea e acabou ficando mais bonita com isso.
     Vargas queria mulheres de papel. Adalgisa era difícil de dobrar.

A recomendação de Adalgisa Colombo para Sônia Maria Campos, 
Vice-Miss Brasil 1958

Sônia Maria Campos
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Sônia Maria Campos e Adalgisa Colombo
Fotos de Gervásio Batista Manchete, Ano 6, nº 325, 12/07/1958
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          Ainda do livro de Joaquim Ferreira dos Santos: Em 1958, segundo a reportagem de Luís Edgar de Andrade, texto, e Indalécio Vanderley, foto – uma das duplas de ouro do incrível escrete de O Cruzeiro - , a grande concorrente de Adalgisa foi a morena Sônia Maria Campos, Miss Pernambuco, dona de grandes predicados físicos e que ainda por cima, como se não bastasse tal glória, “lê Shakespeare no original”. Sua eleição em Recife tinha ganhado contornos antropológicos: as adversárias, apesar do sotaque arretado da gota, eram todas louras. Foi preciso que Gilberto Freyre, com seu zelo genético, saísse de Apipucos para discursar veemente contra a excentricidade.
         Sônia tirou o segundo lugar no Miss Brasil, o que lhe dava o direito de disputar o concurso Miss Mundo em Londres. Antes de viajar, está em O Cruzeiro, Adalgisa lhe fez uma recomendação muito catita: - "Não deixe de ir à Holanda. Lá tem as tulipas, e as vaquinhas no inverno vestem um casaquinho abotoado na cintura.”

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Mariana XimenesFoto: Maurício Fidalgo / TV Globo

          “Ela tem um humor ácido e preciso, tem uma sagacidade absurda, mas, ao mesmo tempo, tem uma amargura bem profunda, mas que ela não revela. Tem tiradas absolutamente inteligentes. É uma mulher irreverente e se expressa desta forma na hora de se vestir, no cabelo, na maquiagem, nas unhas e na própria atitude. A Adalgisa é como borbulhas de champanhe”, ressaltou Mariana Ximenes sobre sua personagem ao gshow.globo.com

        Espero que a minissérie Se eu fechar os Olhos Agora focalize com fidelidade a personalidade e a trajetória de Adalgisa Colombo, Miss Distrito Federal, Miss Brasil e Vice-Miss Universo 1958, entre irreverências e borbulhas de champanhe.

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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Na embriaguez do Frevo

        

        Do céu parecia cair uma chuva copiosa e multicolorida de pingos d'água de felicidade. Meu carnaval já começou ao lado de amigos e amigas da minha atividade física Treinamento Funcional, jno bloco AABB na Folia. 
        De mãos dadas com o vento, começamos cantando "Voltei Recife", de Luiz Bandeira. "...Quero sentir a embriaguez do frevo, que entra na cabeça depois toma o corpo e acaba no pé".
       Na terra do Frevo, Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, a simples alegria de se embriagar com Frevo representa possuir um patrimônio pessoal de inexplicável felicidade.
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Daslan Melo Lima
Praça do Centenário, Timbaúba, Pernambuco, 22/02/2019
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PELA PRIMEIRA VEZ
A Lua Cheia desfila solitária, majestosa, soberana e nua. Alguns casais estão encantados,  como se estivessem assistindo ao espetáculo pela primeira vez.  Diante do show dirigido por Deus também fico encantado, como se estivesse assistindo ao espetáculo pela primeira vez. 
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Daslan Melo Lima, em noite enluarada, na Praça José Lins do Rêgo,.
Timbaúba, PE, 20/02/2019
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ENQUANTO A CHUVA CAI
Em seus seis meses de vida, "Nikita" ainda não tinha visto tanta chuva como a que cai nesta segunda-feira do verão pernambucano. Assustado, ele corre para o meu colo. Enquanto se aquieta, faço uma selfie e esqueço de fazer ao vento algumas perguntas sem respostas. Um cão tem o mistério de deixar de ser cão para ser um anjo que nos acompanha. 
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Daslan Melo Lima
Timbaúa, PE, 18/02/2019
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