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sexta-feira, 29 de maio de 2009

SESSÃO NOSTALGIA - MEUS ENCONTROS COM MARTHA VASCONCELLOS

Por Daslan Melo Lima

Eu e Martha Vasconcellos no Caxangá Golf & Country Club.(Fotos: Fernando Machado)










          Na quarta-feira da semana passada, 27 de maio, fui ao Recife, onde passei a maior parte do dia ao lado de um ícone brasileiro: a deusa baiana Martha Vasconcellos, Miss Brasil e Miss Universo 1968.

          Martha Vasconcellos, que reside há nove anos em Boston, está de férias em Salvador e veio ao Recife com o objetivo de renovar o visto em seu passaporte. Martha desembarcou logo cedo no Aeroporto Internacional dos Guararapes Gilberto Freyre e foi recebida pelo jornalista Fernando Machado e por Tânia Spinelli Voogd, uma das grandes damas da sociedade pernambucana. Do aeroporto, o pessoal foi ao Consulado Americano, onde Martha recebeu um tratamento digno de uma majestade. Christopher Del Corso, Cônsul dos Estados Unidos, sabia tudo sobre Martha e tratou-a como rainha.


Martha Vasconcellos, Christopher Del Corso e Tânia Spinelli Voogd.(Foto: Fernando Machado)

          Martha é serena, meiga, elegante e inteligente. Transmite carisma, classe, categoria e um elevado grau de humanismo e simplicidade. Não é à toa que ela foi agraciada recentemente com um prêmio da WBF, Women’s Bar Foundation, por seu trabalho como Supervisora do Programa de Violência Doméstica para a área de Boston da ONG MAPS, Massachusetts Alliance of Portuguese Speakers.

          Vivi na quarta-feira uma realidade com gosto de sonho, um daqueles sonhos que superou alguns dos meus sonhos mais ousados. Mas antes de entrar em detalhes, vou contar como foram meus três encontros anteriores com a nossa Miss Universo 1968.

PRIMEIRO ENCONTRO

          Era 1968. Martha Vasconcellos tinha sido eleita Miss Universo e veio ao Recife para um desfile no Clube Português. Eu morava no bairro de Afogados e estudava à noite no Ginásio Pernambucano, na Rua da Aurora, centro da cidade. Saí de casa logo após o almoço e fui direto para a Praça Maciel Pinheiro, onde posicionei-me na frente do Hotel São Domingos.
          Preciso aqui fazer uma pausa para um desabafo. Eu estava frustrado pelo fato de não ter assistido pela televisão a vitória de Martha como Miss Universo. Em 1968, nem todo mundo possuía uma televisão. Um aparelho de TV era coisa de luxo, um bem de consumo inacessível para a realidade econômica da maioria dos brasileiros, inclusive para minha família. No dia da transmissão do concurso Miss Universo, a minha vizinha não tinha aberto a janela, chateada com as conversas paralelas dos televizinhos durante a exibição do Miss Brasil no mês anterior.
          Era 1968. A multidão tomava conta do lugar. De repente, por conta das sirenes dos inúmeros veículos da polícia militar, todo mundo ficou sabendo que a mulher mais bela do mundo havia chegado. Dezenas e dezenas de policiais ficaram na frente do Hotel São Domingos, então um dos hotéis mais chiques de Pernambuco. Martha Vasconcellos estava com imensos óculos escuros e a multidão gritava:
Tira ! Tira ! Tira !  Com muito esforço, consegui aproximar-me da porta principal do hotel, ao tempo de ver de perto Martha abrir um sorriso encantador e tirar os óculos a pedido daquelas centenas de pessoas.



Praça Maciel Pinheiro, Recife. No prédio de esquina, à esquerda, funcionava o Hotel São Domingos. (Foto: www.meurecife.com.br)

          Depois, da sacada do seu apartamento, no segundo andar, ela jogou beijos e acenou para a multidão. Fiquei muito tempo ainda por perto, imaginando como seria fantástico ficar ao lado da Martha e ouvir sua voz falando de sua trajetória de Miss. Antes de deixar o local, presenciei a saída de Maria Eunice Mergulhão Maciel, Miss Pernambuco 1968, e vi circulando na praça uma linda jovem morena, Nádia Lins de Albuquerque, Miss Sport Clube do Recife, finalista no Miss Pernambuco daquele ano e que meses depois seria eleita Miss Objetiva do Brasil e vice Miss Objetiva Internacional.
          Naquele período, em entrevista à imprensa, Martha desmentiu com muita diplomacia uma notícia veiculada na coluna social de João Alberto, do jornal Diario de Pernambuco, de que teria nascido no Recife. Martha Vasconcellos disse mais ou menos assim:  Seria uma honra também ser pernambucana, mas nasci na Bahia.. Durante o nosso almoço, na quarta-feira passada, no Caxangá Golf & Country Club, Mucíolo Ferreira relembrou esse assunto e Martha falou que tinha uns parentes distantes que nasceram em Pernambuco.
          Um detalhe: muito anos após, fiz questão de passar um final de semana hospedado no Hotel São Domingos e da sacada daquele apartamento do segundo andar jogar beijos e acenos para o silêncio e o vento.


SEGUNDO ENCONTRO

          Era 1972. Eu estava no Ginásio de Esportes Geraldo Magalhães Melo, o Geraldão, palco do concurso Miss Pernambuco 1972, cuja vencedora foi Maria Madalena Jácome da Costa Brito, e Martha Vasconcellos estava na comissão julgadora. Quando o evento terminou, dei um jeito de me posicionar por um corredor onde Martha deveria passar.
          Cheguei a tempo de vê-la ao lado do seu esposo Reinaldo Loureiro e de vários policiais. De repente, Martha soltou um grito e procurou defender o rosto com as mãos. Um fã exaltado tinha se aproximado demais para beijá-la, mas foi contido pela polícia.

TERCEIRO ENCONTRO

          Era 2000. Eu estava na sede do Sport Clube do Recife, palco do concurso Miss Pernambuco, cuja vencedora foi Djanira Barbosa, e Martha Vasconcellos estava na comissão julgadora. Consegui aproximar-me dela, ganhar um beijo e um autógrafo, com direito a foto.


Martha Vasconcellos e eu. Sport Clube do Recife, 2000.

          Lamento não ter nenhuma fotografia dos dois primeiros encontros. Naquela época, eu não tinha máquina fotográfica convencional e as digitais pertenciam a um futuro muito distante.

QUARTO ENCONTRO

          Enfim, o quarto encontro, esse da quarta-feira, uma realidade com gosto de sonho, um daqueles sonhos que superou alguns dos meus sonhos mais ousados.
          Enquanto Martha Vasconcellos, Tânia Spinelli Voogd e Fernando Machado estavam no consulado americano, eu e o jornalista Mucíolo Ferreira ficamos no Shopping Boa Vista, aguardando o telefonema do Fernando Machado que passaria com Tânia e Martha para almoçarmos no Bar 10, o alinhado restaurante do Caxangá Golf & Country Club.
          Vale salientar que Roberto Macêdo, missólogo e jornalista baiano, grande amigo da nossa Miss Brasil 68, foi o mediador desse encontro. Mucíolo, Fernando e Tânia cuidaram das boas vindas e convidaram-me para fazer parte do grupo.


Mucíolo Ferreira, Martha Vasconcellos e Fernando Machado.(Foto:DML)




Martha Vasconcellos autografando duas das revistas que levei para o encontro.(Fotos:DML)

          Quando eu e Mucíolo entramos no veículo da Tânia, tive a impressão de estar vivendo um sonho. Ali, ao meu lado, estava uma das mulheres mais belas do mundo.
Levei de Timbaúba várias revistas do meu acervo que trazem a imagem de Martha nas capas. Foi mágico rever aquelas páginas tendo ao lado a nossa última Miss Universo brasileira. Pedi que ela autografasse uma Manchete para mim e uma publicação da Caras para o meu amigo Evandro, de Fortaleza, grande admirador de Martha.
          Foi fascinante ouvir Martha falar com simplicidade e tranquilidade de sua trajetória de Miss Bahia, Miss Brasil e Miss Universo. Quando lhe perguntei quem ela achava que tinha sido sua maior concorrente ao título de Miss Universo, respondeu: Miss Finlândia. (Leena Marketta Brussin, Miss Finlândia, foi a terceira colocada).


Mucíolo Ferreira, Tânia Spinelli Voogd, Miguel Braga, Martha Vasconcellos, Marcos Sales, eu e Adriano Maia. (Foto: Fernando Machado)

          No Caxangá Golf & Country Club, Miguel Braga, coordenador do Miss Pernambuco, Adriano Maia, coordenador, e Marcos Sales, professor do curso de moda da Faculdade Maurício de Nassau, reuniram-se a nós. Às 15 horas, saímos do Caxangá, pois Martha teria que repousar um pouco e às 20 horas precisaria estar no aeroporto para retornar a Salvador.


Página da revista MANCHETE, Ano 16, Nº 850, 03/08/1968, autografada por Martha Vasconcellos, onde se lê :


Para Daslan, com um beijo pela lembrança das horas alegres que passamos juntos no almoço do Caxangá 
Beijo 
Martha Vasconcellos 
Miss Universo 68
Em 27 de maio, 2009


          Martha Vasconcellos é uma daquelas pessoas que pertencem a uma classe que não precisa fazer esforço algum para se destacar, pois é naturalmente parte de uma luz especial.
          Eu levarei comigo as lembranças dos meus encontros com Martha Vasconcellos - principalmente o quarto encontro - durante toda minha caminhada, por toda minha vida.

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sábado, 23 de maio de 2009

SESSÃO NOSTALGIA - IVONE RICHTER ,VICE MISS DISTRITO FEDERAL 1958

Por Daslan Melo Lima

          Naquele 14 de junho de 1958, Adalgisa Colombo, Miss Botafogo, era apontada como forte candidata ao título de Miss Distrito Federal devido à sua experiência, pois já tinha disputado o título de Miss Cinelândia, conquistado o Miss TV e era manequim da Casa Canadá. Mas havia uma garota belíssima no caminho de Adalgisa Colombo: Ivone Richter, Miss Riachuelo.


Ivone Richter, Miss Riachuelo 1958.(Foto: Dilson Martins, revista Manchete, 07/06/1958)

O jornalista Sérgio Cabral estreava como foca no Diário da Noite e diz que ainda guarda o rosto e o porte de Ivone Richter como um dos acontecimentos mais sensacionais de figura feminina no Rio.


Paaafff! O primeiro salgadinho bateu na cora da Miss Distrito Federal 1958: um croquete de camarão.
Plaacttff! O segundo atingiu o cetro: uma empada.
Piimmmba!! O terceiro manchou o maiô Catalina dourado: uma azeitona.


Adalgisa Colombo, 18 anos, Miss Botafogo, foi eleita Miss DF debaixo de uma chamada vaia ensurdecedora e uma chuva de frituras do serviço da Confeitaria Colombo, os salgadinhos mais finos do Rio, mas que nem por isso tinham qualquer parentesco com a nossa mártir da beleza. Quarenta anos depois aquilo teria um nome: baixaria, barraco. Na época. a Última Hora também procurou a bilabial para berrar: “Bagunçaram o coreto”.

Absolutamente fora de si, a mãe de Ivone Richter, Miss Riachuelo - a segunda colocada e preferida do público -, subiu ao palco e foi contida pelos policiais milímetros antes de tascar as unhas em Adalgisa, moça de classe, educada no Liceu Francês de Laranjeiras.

Pior. Também irada, a irmã da Miss Vasco da Gama teve maior sucesso em sua vingança. Correu para os camarins e fez picadinho do vestido de tule de Adalgisa, jovem elegante que fora daquele pesadelo desfilava para a Casa Canadá.

(Feliz 1958: O ano que não devia terminar, Joaquim Ferreira dos Santos, Editora Record, Rio de Janeiro,1997)


Adalgisa Colombo, Miss Botafogo, Miss Distrito Federal 1958. (Foto: Dílson Martins, revista Manchete, 07/06/1958).

          Devido às vaias, Adalgisa Colombo foi aconselhada a não voltar ao Maracanãzinho no sábado seguinte, 21 de junho, para disputar o Miss Brasil. Determinada, ela foi e conquistou o primeiro lugar, diante de milhares de pessoas que torciam por Sonia Maria Campos, Miss Pernambuco. Em Long Beach, Adalgisa Colombo conseguiu a segunda colocação no Miss Universo, perdendo para Luz Marina Zuluaga, Miss Colômbia.



Ivone Richter, Miss Riachuelo, vice Miss Distrito Federal 1958.
(Foto: Dilson Martins, revista Manchete, 07/06/1958)

          Talvez tenham aconselhado Ivone Richter a voltar às passarelas.Talvez ela tenha recebido convites para fazer carreira na televisão e no cinema.Mas Ivone Richter soube dizer não e preferiu ficar longe dos holofotes, satisfeita com a gratidão de todos que guardaram seu rosto e seu porte como um dos acontecimentos mais sensacionais de figura feminina do Rio de Janeiro.

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sábado, 16 de maio de 2009

SESSÃO NOSTALGIA - Maria Olivia, vale a pena ser Miss

Daslan Melo Lima


      "Vale a pena ser Miss?" A reportagem de Ciro de Andrade, ilustrada com fotos de Maria Olívia Rebouças, Miss Bahia e Miss Brasil 1962, feitas por Geraldo Móri, no cenário bucólico da Fazenda Monte Alto, em Américo Brasiliense, São Paulo, trazia a resposta de um ícone dos anos 60 na revista Manchete, de 23/04/1966.


A história de Maria Olívia como rainha da beleza parece inverossímil, pois aos 15 anos, em Itabuna (Bahia), ela era tão magra e tão alta, para a sua idade, que todos a chamavam de Olívia Palito.
“Eu era a garota mais desengonçada do lugar”, confessa ela a sorrir.


Depois disso, foi estudar em Salvador, e, com o tempo, melhorou de tal maneira que as próprias colegas passaram a considerá-la a mais bela aluna do curso clássico.
Um dia, suas melhores amigas decidiram intimá-la a participar do concurso para a eleição da Miss Universitária.
- Mas vocês estão malucas? – disse Maria Olívia simplesmente aterrorizada. - Pois se eu fico vermelha de encabulamento quando percebo que algum rapaz está olhando insistentemente para mim!



Maria Olívia Rebouças Cavalcanti na capa da revista MANCHETE,30/06/1962


Entrou em cena seu tio, o Professor Mendonça filho, na época diretor da Escola de Belas Artes de Salvador. Ele incentivou a sobrinha, ela acabou perdendo o medo e inscreveu-se. O supervisor do desfile de Miss Universitária era Evandro de Castro Lima, campeão de fantasias do carnaval carioca. Evandro ensinou-lhe a arte de desfilar e, depois que Maria Olívia foi eleita rainha da beleza universitária, ele a foi cumprimentar e disse categoricamente:
- Você agora deve preparar-se para ser Miss Brasil. Garanto que vai ser eleita.


- Evandro, até hoje um bom amigo, nem sequer deu-se ao trabalho de falar em Miss Bahia – recorda Maria Olívia. - Foi logo pensando no Maracãnazinho. "Meu tio também concordou. Meus pais não viam a idéia com bons olhos, mas eu acabei decidindo, e eles não reclamaram. Mas foi principalmente por causa dos meus colegas universitários, que tanto haviam feito para a minha primeira eleição de beleza, que coloquei meu nome entre as candidatas ao título estadual."

Até o último momento esperava perder. E, quando recebeu a faixa,vendo a responsabilidade que assumia naquele instante, ficou morta de medo, pensando: “Meu Deus! Que é que eu vou fazer no Maracanãzinho?”



Maria Olívia em traje de gala na noite do Miss Brasil, vestido de seda branca pontilhado de águas marinhas. (MANCHETE, 30/06/1962)


A loura Christa Linder, Miss Áustria, semifinalista, candidata favorita de Maria Olívia, e a morena Norma Beatrice Nolan, Miss Argentina, eleita Miss Universo 1962.(O CRUZEIRO, 28/07/1962)

"O quinto lugar me deixou plenamente feliz, mas achei injusto, por parte dos jurados, o que fizeram com Miss Áustria deixando-a apenas entre as 15 semifinalistas, quando ela era infinitamente mais bela do que Miss Argentina, que afinal ganhou a cora de Miss Universo. Na posso afirmar nada, mas desconfio de que haja uma certa política determinando o julgamento em Miami."


Outra coisa que ela recorda é o rigor com que as candidatas são examinadas em Miami. 

"Todas ficam de maiô, e algumas senhoras tiram as medidas corporais. Qualquer artifício é logo descoberto. As européias, principalmente, costumam aumentar artificialmente o tamanho do busto, ficando encabuladas quando uma das examinadoras, sem lhes pedir para tirar a roupa, adverte: - I’m sorry... Estou desolada, senhorita, mas creio que a medida do seu busto não coincide com a realidade..."


Ao voltar dos Estados Unidos, Olívia aceitou o convite de uma fábrica paulista e rumou para a França como recepcionista brasileira no Salão do Automóvel. Nessa ocasião, conheceu o astro William Holden, que ia rodar um filme em Paris e a convidou para fazer uma boa ponta, ganhando bastante em dólares. Chegou a visitar o estúdio de filmagem e a experimentar o vestido que usaria. Mas desistiu por um motivo: havia lá uma porção de camaradas de cara esquisita, todos com um charutão na boca (certamente os chefões da produção), e que a olhavam dos pés á cabeça.

      No dia 22/06/1963, Maria Olívia passou a coroa para Ieda Maria Vargas, sua sucessora no trono de Miss Brasil. Na noite seguinte, ela e Ieda foram a uma festa e lá Maria Olívia conheceu o fazendeiro paulista Olavo de Almeida Pereira de Cordes, que estudava Direito no Rio de Janeiro. Foi amor à primeira vista. Ficaram noivos um mês depois e casaram no dia 04 /12/1963. Após o casamento, foram morar na fazenda Monte Alto, em Américo Brasiliense, a 18 km de Araraquara, São Paulo.

Confissão de Olavo de Almeida: "O destino quase me fazia perder aquele encontro supremo.Eu devia ter feito provas alguns dias antes, na Faculdade, e depois disso pretendia seguir para o Uruguai e a Argentina.. Já estava com a passagem marcada. Na última hora, a professora adiou o exame e fui obrigado a ficar no Rio. Se não fosse isso, não teria ido àquela festa. Bendita professora!"


Maria Olívia Rebouças e Olavo de Almeida Pereira de Cordes. (Foto: Geraldo Móri, Manchete, 23/04/1966)


Maria Olívia e os filhos Olavinho e Flavinho. (Foto: Geraldo Móri, Manchete, 23/04/1966)

Vale a pena ser Miss? Resposta de Maria Olívia:


"Vale a pena sim. Se o tempo voltasse atrás, eu gostaria de ser eleita novamente Miss Bahia, depois Miss Brasil, e finalmente quinta colocada em Miami. Não por vaidade, ou para ostentar estes títulos. O concurso serviu principalmente para que eu me tornasse mais desembaraçada, afirmando minha personalidade, pois sempre fui profundamente acanhada.

"Terei orgulho de contar aos meus filhos e netos que, um dia, fui Miss Brasil e quase cheguei a Miss Universo. Mas, se tiver a filha que ainda não veio, preferiria que não se candidatasse, pois estou de acordo com a opinião de meus pais no dia em que decidi concorrer a Miss Bahia: - Filha da gente em concurso de beleza - disseram eles - sempre dá preocupação. Não há nada de moralmente condenável nesses concursos, mas a preocupação dos pais é muito grande. Além do mais, já basta uma Miss Brasil na família, não acham?”


      Feliz, tranqüila, realizada, Maria Olívia Rebouças, minha Miss Brasil inesquecível, já contou repetidas vezes aos seus descendentes que um dia foi Miss Bahia, Miss Brasil e quase Miss Universo. Ela se orgulha do seu passado de rainha da beleza e não se cansa de dizer que valeu a pena ser Miss.

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segunda-feira, 4 de maio de 2009

SESSÃO NOSTALGIA - Concurso Miss Pernambuco 1956

Daslan Melo Lima

          Recife, Clube Náutico Capibaribe, noite do sábado, 19 de maio de 1956. Vestindo lindos longos exclusivos, seis jovens estavam prontas para subirem na passarela em busca de um sonho: o cobiçado título de Miss Pernambuco. Promovido pelo Diario de Pernambuco, jornal pertencente aos Diários Associados, o evento foi coordenado por José de Souza Alencar (Alex), Fernando Luiz da Câmara Cascudo e Colombo Campos. Na comissão julgadora estavam Paulo Cabral, Valdemar de Oliveira, Mauro Mota, Álvaro Ferraz, Bibiano Silva, Lula Cardoso Ayres, Fedora Rego Monteiro, Altamiro Cunha, Telma Vasconcelos, Alex e Leônidas Ramalho. A grande atração musical da noite era um artista de renome nacional: Ataulfo Alves.



As seis candidatas ao título de Miss Pernambuco 1956. (Foto: Revista GB - Gente Bonita, Nº. 2). Da esquerda para a direita: 
Luci Oliveira Tenório, Miss Cabanga Iate Clube 
Lieselotti Cornies, Miss Aeroclube de Pernambuco
Nelbe Souza, Miss Clube Náutico Capibaribe
Telma Della Santa, Miss Clube Internacional do Recife
Magaly Janete Almeida, Miss Clube Português do Recife
Zuleide Pereira de Sá, Miss Círculo Militar do Recife.

          Antes daquele 19 de maio, o Recife conheceu seis noites inesquecíveis, pois os clubes que as candidatas representavam promoveram memoráveis festas para apresentá-las à sociedade. 
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Um detalhe: Nenhuma jovem desfilava de maiô para o público. Apenas a comissão julgadora tinha o privilégio de vê-las assim. O grande público apenas assistia às jovens, nervosas, em traje rigor. E cada clube apresentava um time de primeira, para dele selecionar a titular.

Circulo Militar do Recife – No final de abril, quatro moças concorreram ao título de Miss CMR: Terezinha Pereira de Sá, Laurenita Ribeiro de Paiva, Elisa Maria Silva e Zuleide Pereira de Sá. Venceu a última, ganhando logo notoriedade por ser a primeira inscrita no Miss Pernambuco 1956.

Clube Português do Recife – A eleição da representante do Clube Português aconteceu no dia 09 de maio, animada pela orquestra de Nelson Ferreira e um show com os artistas Creusa Cunha, Tânia Maria e Rubens Cristino. As candidatas foram Maria Luísa Bonde Tote, Ariadne Quintella, Terezinha Barreto Sá, Magali Janete Almeida e Sílvia Regina Carneiro. Venceu Magali Janete Almeida.

Aeroclube de Pernambuco – O Aeroclube de Pernambuco fez uma grande festa no dia 10 de maio para apresentar a sucessora de Alba Souza Leão, a sua Miss do ano anterior que tinha representado Pernambuco no Miss Brasil 1955. Ela era Lieselotte Cornies, uma loura de 1,72 de altura que estava completando 19 anos de idade naquele dia. A animação da noitada ficou sob a responsabilidade do Trio Cigano, Ernane Dantas, Elita Souza, José Otoni e Elvia Lauria.

Cabanga Iate ClubeLuci Oliveira Tenório, Heloísa Carmem Silva Ribeiro, Cléia Silvestre e Marise Simonete concorreram ao título de Miss Cabanga no dia 11 de maio. A eleita foi Luci Oliveira Tenório.

Clube Náutico Capibaribe – Dois ídolos da canção brasileira deram um brilho especial à escolha da representante do Náutico ao Miss Pernambuco 1956, no dia 12 de maio: Elizeth Cardoso e Ivon Curi. Na passarela, sete jovens estavam de olho no título de Miss Náutico: Nelbe Souza, Maria Helena Peixe de Oliveira, Marlene Rosa Xavier de Andrade, Maria do Carmo Lauria de Almeida e as irmãs Auribela e Aurabela Pessoa de Queiroz. O Top 3 foi composto por Nelbe Souza, primeiro lugar; Maria Helena Peixe de Oliveira, segundo lugar (filha da famosa modista Inês Peixe, que costurou muitos vestidos das Misses Pernambuco) e Maria do Carmo Lauria de Almeida, terceiro lugar.

Clube Internacional do Recife – O Internacional foi o último clube que apresentou sua candidata. Era 17 de maio e faltavam apenas dois dias para a eleição da Miss PE 56. Quatro jovens disputaram o Miss Clube Internacional do Recife: Telma Della Santa, Lucy dos Santos Oliveira, Vanda Pinto e Lúcia Cavalcanti. A vencedora foi Telma Della Santa, uma garota de olhos verdes e 1,70 de altura, que se inscreveu no concurso com o objetivo de chatear um ex-namorado.
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Revista GB - Gente Bonita, Nº. 2

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As três pernambucanas mais belas de 1956. Da esquerda para a direita: Telma Della Santa, Miss Clube Internacional do Recife, terceiro lugar; Nelbe Souza, Miss Clube Náutico Capibaribe, primeiro lugar; e Lieselotte Cornies, Miss Aeroclube de Pernambuco, segundo lugar. (Foto: Revista GB - Gente Bonita, Nº. 2)



Para muitos, o rosto de Nelbe Souza lembrava o da atriz italiana Sofia Loren. (Foto: Revista GB - Gente Bonita, Nº. 2)


Nelbe Souza, Miss Pernambuco, desfilando de maiô Catalina na passarela do concurso Miss Brasil 1956. Hotel Quintandinha, Petrópolis, Rio de Janeiro, 16/06/1956. O título de Miss Brasil 1956 foi conquistado por Maria José Cardoso, Miss Rio Grande do Sul. (Foto: Revista GB - Gente Bonita, Nº 2)

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Nelbe Souza, ontem e hoje. Fotos: Cortesia/Acervo de Fernando Machado e  uiarazagolin.blogspot.com




          Jornalista, morando hoje no Rio de Janeiro, viúva de Fernando Chateuabriand, Nelbe Souza declarou em fevereiro, no programa de Eliana Ovalle, na CNT, que foi convidada para concorrer ao Miss Pernambuco pelos diretores do Náutico quando caminhava pela Rua Nova, no centro do Recife.



          No Recife dos anos 50, as pessoas vestiam suas melhores roupas e iam passear no final da tarde pela Rua Nova. Era um programa chique, um dos preferidos da juventude da alta sociedade pernambucana. Na Rua Nova de ontem, a qualquer momento, jovens lindas como Nelbe Souza poderiam receber um convite de respeitáveis senhores para disputar o ambicionado título de Miss Pernambuco.


Foto: Manoel de Barros

         No Recife de hoje, a Rua Nova não é mais um ponto de encontro elegante. A vez é dos shoppings centers, onde moças lindas caminham esperando serem descobertas para disputarem um título mágico de beleza. Miss para sempre Miss.

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terça-feira, 28 de abril de 2009

SESSÃO NOSTALGIA - A APOTEOSE DAS MISSES

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Daslan Melo Lima

Em dezembro do ano passado, ao passar por um sebo do centro do Recife, encontrei uma pilha de recortes do Jornal do Commercio, do Recife, referentes ao ano de 1958.
Por conhecer o dono do sebo, em cuja banca já tinha adquirido algumas revistas antigas, pedi para manusear a preciosidade.
Foi aí que encontrei uma parte da página 11, da secção Sociedade, com uma belíssima crônica do jornalista Altamiro Cunha, A Apoteose das Misses.
Por conta do meu interesse e por ser cliente do sebo, ganhei do vendedor o recorte da crônica.



A APOTEOSE DAS MISSES, crônica de Altamiro Cunha, JORNAL DO COMMERCIO, Recife-Pernambuco-Brasil, Ano XXXIX, Número 73 - Domingo, 30 de março de 1958

Em tempo de nova ortografia, optei em transcrever o texto completo da crônica respeitando as regras gramaticais vigentes na época de sua publicação, dando um toque maior de documento a esta Sessão Nostalgia.


A APOTEOSE DAS MISSES


Misses que alteias emoções e confusões, de reinados velozes nas perdulárias ramificações dos vossos encantos, belezas fotogràficamente lúcidas e por vezes incompletas quando radiografadas na fria análise aos rebuscados anatômicos;

misses que no pedestal da vossa realeza, não podeis eximir-vos das opiniões favoráveis ou negativas sobre um esplendor de harmonioso encanto;

misses louras ou morenas, brancas num sortilégio lunar, da cor das filhas do sol, leves como pássaros, graciosas como bailarinas, emocionais nas curvas como tanto ousaram aquelas ninfas que foram esculpidas nos mármores gregos;

misses que alcançais o mérito supremo daquilo que um poeta chamou de “o triunfo imortal da carne e da beleza”, consagradas que sois nos campeonatos estéticos, eu vos admiro da mesma forma que vejo estrelas nas imutáveis temperaturas de inverno e verão!

Se os céus, conforme as estações, esfumam retratos radiantes, claro que ao meu pensamento só existem indúcias para que as misses demorem como estrelas em noites de verão.

Não vos sendo inconstantes as formas da natureza, certo ar feiticeiro a Ninon de Lenclos perdurará por muito tempo na consagrada plástica com que fostes favorecidas pelos bons fados. Contudo não deveis abusar dos creme de “chantilly” propícios ao alargamento desproporcional do busto e das ancas, e também (respeitosamente eu vos aviso) não sejais gulosas das toneladas de fatias de pão com manteiga que se permitem a indicações, ou para melhor, (o termo é mais exato) a improvisações de ventres frondosos, legítima figuração estética nesse santuário de harmonias que deve ser o corpo das misses.

Conservai uma expressão sonhadora e suave nos dias de fastígio, desprezando os gestos da “vamp”, - que sendo vaidosos na arte de agradar aos Baby Pignatari, de hábeis homenagens aos prazeres rápidos! – que merecendo aplausos da famulagem, só fâmulas aparecem quando não possuidores dos vossos encantos.

Guardai como exemplo de merecimento, a conduta excepcional de Emilia Correia Lima, a miss que sempre elevou o conceito dêsse concurso de beleza, com a soberania das dignas atitudes.

Misses! Eu vos exalto como elementos de uma sinfonia triunfal.

E torcendo ficarei para que Pernambuco mande êste ano ao Rio uma miss de rara formosura

ALTAMIRO CUNHA



.......Altamiro Cunha (Foto: Diario de Pernambuco, 15/10/1986).......


Altamiro Cunha, considerado o pai da crônica social pernambucana, morreu de parada cardíaca às 5 horas da madrugada de 14/10/1986, no Hospital dos Servidores do Estado, aos 80 anos de idade.

Os fãs da cearense Emília Corrêa Lima, Miss Brasil 1955, ao lerem esta Sessão Nostalgia, deverão ficar emocionados com a citação do seu nome como exemplo de conduta.
Sônia Maria Campos, Miss Pernambuco 1958, vice-Miss Brasil e sétima colocada no concurso Miss Mundo, ao tomar conhecimento desta página deverá se emocionar por ter sido aquela Miss de rara formosura que Altamiro Cunha desejava ver no Rio.
Por outro lado, os peruanos ficarão emocionados por não terem dúvida que, também desse lado de cá da América do Sul, a sua Gladys Zender, Miss Universo 1957, a imagem que ilustra a crônica, é uma legenda há 52 anos.

Finalizando, quero expressar às Misses de ontem e de hoje o meu eterno carinho, citando Altamiro Cunha:

Misses ! Eu vos exalto como elementos de uma sinfonia triunfal.

... Eu vos admiro da mesma forma que vejo estrelas...


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quinta-feira, 23 de abril de 2009

SESSÃO NOSTALGIA - MARIA RAQUEL DE ANDRADE, VALE A PENA SER MISS

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Daslan Melo Lima

Era abril de 1966 e faltavam dois meses para Maria Raquel Helena de Andrade, Miss Guanabara e Miss Brasil 1965, passar as faixas para as suas sucessoras, quando a revista MANCHETE(Ano 13, Nº 730, 16/04/1966) circulou nas bancas de todo o país com uma reportagem de André Kallás, Maria Raquel de Andrade – Vale a pena ser Miss?

Maria Raquel responde: Sim, vale a pena ser Miss Brasil, desde que recebi a faixa, no ano passado, as alegrias que tive e continuo tendo são muito mais numerosas do que as decepções. Não me arrependo de ter representado o Brasil em Miami. Pelo contrário, sinto um orgulho imenso, por mim, pelos meus pais, pelos meus amigos e pelo Botafogo. E.se isso fosse possível gostaria de recomeçar tudo de novo. Até mesmo o título de Miss Marte me deixaria feliz.

Maria Raquel foi descoberta pela jornalista Nina Chaves, que publicou sua foto no suplemento feminino do jornal O Globo. A foto era sensacional, e a moça de cabelos louros, agitados pelo vento, teve que ser explicada com a seguinte legenda: Ela existe, sim senhores! E mora no Rio.


Maria Raquel de Andrade, Miss Guanabara 1965, ladeada pelo pai João Luís e pela mãe que também se chamava Raquel.(Foto: MANCHETE, 03/07/1965)

Então, de repente, Maria Raquel ficou viciada em bailes de debutantes. Depois do seu verdadeiro Baile das Debutantes, realizado em Florianópolis, ela foi procurada pelo Barão de Siqueira Júnior, especializado em promover esse tipo de festa juvenil. O Barão lhe disse:
- Você é simplesmente um sonho! Eu quero que você participe do Baile das Debutantes que vou dar no Rio, no Clube Monte Líbano.
Maria Raquel topou. A festa foi linda. Mas o Barão, ainda não satisfeito, exigiu que ela participasse de outro baile, o mais solene dos três, no Copacabana Palace e tendo por madrinha a senhora Sarah Kubitschek. Hoje ela comenta com um sorriso:
- Se dependesse do Barão, eu iria continuar debutando até hoje...


Em 1964, no Maracanãzinho, ela viu pela primeira vez a eleição de Miss Brasil.
- Fiquei deslumbrada com aquele movimento, o entusiasmo do público e tudo o mais. Aplaudi freneticamente Ângela Vasconcelos, no momento em que foi coroada. Mas nunca poderia pensar que no ano seguinte tudo aquilo aconteceria comigo mesma.

Maria Raquel fez um curso de recepcionista na Socila e a professora Maria Fernanda incentivou-a a se inscrever no Miss Guanabara. A mãe não apoiou, mas o pai disse sim. A família torcia pelo Botafogo e quando um diretor do clube perguntou se ela gostaria de representar o clube da estrela solitária no Miss Guanabara, Mara Raquel não teve dúvida em aceitar.


Maria Raquel de Andrade, Miss Brasil 1965, em anúncio de propaganda dos produtos de beleza Helena Rubinstein. (Foto: MANCHETE,17/07/1965)

Havia uma onde tremenda contra mim. Algumas candidatas diziam que se eu ganhasse era marmelada, e que em represália não cantariam em minha homenagem, conforme estava no programa. Não cantaram mesmo, mas não liguei. O importante foi o momento em que a linda Vera Lúcia Couto me passou a faixa. Foi o momento mais emocionante da minha vida, muito mais emocionante do que quando fui coroada Miss Brasil.

Ninguém pode imaginar o que é um camarim durante a eleição de Miss Brasil. Ouvem-se fofocas de arrepiar os cabelos. Aquela correria para lá e para cá, a demora em começar o desfile, a expectativa, tudo mexe com os nervos da gente. No entanto, na hora de colocar os pés na passarela, senti-me estranhamente calma. Estava tão serena que cheguei a observar a posição das diferentes torcidas, percebendo que a turma do Botafogo estava do lado esquerdo. Comecei a andar de cabeça erguida, sorrindo até o fim, indiferente às vaias, que foram muitas, e aos também numerosos aplausos. Se ganhasse, seria ótimo. Se perdesse, azar meu. Era assim que eu pensava. Ganhei. A reação brutal de uma parte do público não me impressionou. O que me interessava era a opinião do júri. Mesmo porque, se o público brasileiro fosse chamado para julgar concursos de beleza, haveria até guerra civil. Logo que Ângela Vasconcelos me passou a coroa, meu primeiro pensamento foi para mamãe e papai. Estava feliz por vê-los felizes e recompensados pelos dias de angústia que viveram juntos comigo. O resto, as vaias, o despeito, as fofocas, que se danassem.

A favorita do público ao título de Miss Brasil 1965 era Marilena de Oliveira Lima, Miss Mato Grosso, que ficou apenas em quarto lugar, motivo das vaias às quais Maria Raquel se refere, as maiores vaias da historia do Maracanãzinho.


Maria Raquel de Andrade - (Foto: MANCHETE,16/04/1966)

- Nenhuma vaia do mundo – diz ela, recordando a sua dramática noite de glória no Maracanãzinho – nenhuma vaia do mundo – repete - cobriria o som daquela serenata que fizeram para mim em Manaus, às margens do Rio Amazonas. E qualquer crítica se apagaria ante o sermão pronunciado pelo Padre Gustavo, em Curitiba, durante a missa celebrada em minha homenagem, quando passei por lá. Foi um sermão quase que exclusivamente sobre o significado do título que eu acabava de conquistar, e eram palavras tão sábias e comoventes que chorei um bocado.

Maria Raquel Helena de Andrade ficou entre as quinze semifinalistas do concurso Miss Universo 1965 e achou justa a vitória da tailandesa Apasra Hongsakula.
Na condição de Miss Brasil, ganhou em moeda da época cinco milhões de cruzeiros em espécie, um automóvel zero quilometro da marca Gordini, vestidos, sapatos e jóias e viajou pelo país inteiro.
Depois, casou e se tornou uma das grandes damas da sociedade carioca, figura obrigatória nos grandes eventos, com o nome citado nas mais prestigiadas colunas sociais.
Exteriorizando muita alegria, ela marcou presença na noite da eleição da Miss Brasil 2004, no quadro que rendeu um tributo às Misses Brasil dos anos anteriores, dentro das comemorações dos 50 anos do concurso Miss Brasil.

Quais foram as canções cantadas naquela serenata em Manaus, às margens do Rio Amazonas?
Quais foram as palavras sábias e comoventes daquele sermão do Padre Gustavo em Curitiba?
Foram todas revestidas de um tom especial de espiritualidade que marcou para sempre o universo de Maria Raquel Helena de Andrade, Miss Guanabara e Miss Brasil 1965, uma Miss que se orgulha do seu passado de rainha da beleza e que não se cansa de dizer que valeu a pena ser Miss.

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quarta-feira, 15 de abril de 2009

SESSÃO NOSTALGIA - MARISOL CONTRERAS, A POBRE GAROTA ORFÃ, MISS UNIVERSO 1970, E SUA VICE DEBBIE SHELTON, A GAROTA TIPO PLAYBOY

Daslan Melo Lima

      Após os jogos da Copa do Mundo, realizados no México, quando a seleção brasileira conquistou pela terceira vez a Taça Jules Rimet, tornado-se tri campeão mundial de futebol, as atenções da imprensa internacional voltaram os olhos para os Estados Unidos. Em Miami Beach, no dia 11 de julho de 1970, foi eleita a Miss Universo 1970. Das 64 concorrentes ao título, a favorita era Deborah Dale Shelton, chamada por todos de Debbie Shelton, Miss Estados Unidos, morena de olhos verdes e longos cabelos abaixo da cintura, nascida em 21/11/1948, em Washington, DC, e criada em Norfolk, Virgínia.


Debbie Shelton, Miss Estados Unidos 1970 ( Foto: Revista Fatos & Fotos, 23/07/1970)

      Momentos decisivos do Miss Universo 1970: quinto lugar, Miss Argentina, Beatriz Marta Grosquarto lugar, Miss Japão, Jun Shimada; terceiro lugar, Miss Austrália, Joan Lydia ZealandFicaram então, frente à frente: Debbie Shelton, Miss Estados Unidos e Marisol Malaret Contreras, Miss Porto Rico. Expecativa geral. O nome anunciado como Miss Universo 1970 foi o de Marisol Malaret Contreras.


Marisol Malaret Contreras, Miss Porto Rico, morena, cabelos castanhos e olhos verdes, nasceu em Utuado, Porto Rico, em 13/10/1949. (Foto: Capa da revista Fatos & Fotos, 30/07/1970)


Pobre, órfã, trabalhando desde os 15 anos, Marisol vive hoje um sonho de cinderela. 
Um prêmio em dinheiro de 10 mil dólares, um contrato de 10 mil dólares para apresentações pessoais, casacos de pele e presentes diversos no valor de 25 mil dólares foi o que Miss Porto Rico ganhou com o título. 
Ela é órfã, mora com uma tia e um irmão, trabalha desde os 15 anos, atualmente é secretária da Companhia de Telefones de Porto Rico e estuda na universidade.
Marisol Malaret Contreras, Miss Universo-70, 21 anos, medidas perfeitas (89-58-89), disse que vai divulgar pelo mundo o poder do amor:
"Senti, na minha consagração, a força de amor que existe entre os seres e quero que todos também o sintam."(Fatos & Fotos, 30/07/1970)


      Detalhe: Duas misses concorrentes ao Miss Universo 1970 obtiveram grande destaque no Miss Europa 1970, realizado três meses depois em Piraeus, Grécia. Noelia Afonso Cabrera, Miss Espanha, não classificada em Miami, foi eleita Miss Europa e Anna Zamboni, Miss Itália, semifinalista do Miss Universo, obteve a terceira colocação.

      Eliane Fialho Thompson, Miss Brasil, ficou entre as semifinalistas do Miss Universo 1970 ao lado de Miss Tchecoslováquia, Kristina Hanazalova; Miss Grécia, Angelique "Kiki" Bourlesi; Miss Guam , Hilary Ann Best ; Miss Hong Kong, Mabel Hawkett; Miss Itália, Anna Zamboni; Miss Malásia, Josephine Lena Wong Jaw Leng; Miss Suécia, Britt-Inger Johansson ; Miss Suíça, Diane Jane Roth e Miss Venezuela, Bella Mercedes La Rosa de la Rosa.


A favorita era Miss Estados Unidos, Debbie Shelton, uma garota tipo Playboy, que acabou em segundo. Miss Brasil, Eliane Fialho Thompson, segundo a opinião geral, merecia um lugar entre as cinco primeiras. A escolha de Marisol agradou à colônia latino americana em Miami, mas desagradou os americanos.(Fatos & Fotos, 23/07/1970)


Marisol Malaret Contreras, Miss Universo 1970 (Fatos & Fotos,30/07/1970)

      Muito já se falou em Marisol Malaret Contreras, depois daquele 11 de julho de 1970.Sua situação financeira mudou para melhor, assim como a vida humilde da tia e do irmão portador de deficiência física. Depois do reinado, Marisol comandou vários programas de televisão, foi editora de revistas dirigidas ao público feminino, tornou-se empresária do ramo de moda e decoração e passou a dar palestras de motivação para jovens executivas e aspirantes ao mundo dos negócios.

      Marisol Malaret Contreras foi a primeira das cinco Misses Porto Rico a conquistar o título de Miss Universo. As outras foram: Deborah Carthy-Deu (1985), Dayanara Torres (1993), Denise Quiñones (2001) e Zuleyka Rivera (2006).


Da esquerda para a direita, quatro das cinco Misses Porto Rico que foram eleitas Miss Universo: Marisol Malaret Contreras (1970), Deborah Carthy-Deu (1985), Dayanara Torres (1993) e Denise Quiñones (2001). (Foto:www.elanecdotario.com)


Marisol depois daquele 1970. (Foto:www.fanpop.com)
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      Muito já se falou em Debbie Shelton, depois daquele 11 de julho de 1970. Em março de 1974, ela apareceu na capa da revista Playboy. Depois, atuou na televisão, trabalhou no filme Dublê de Corpo, do diretor Brian de Palma, em 1984, e foi uma das atrizes de Dallas, a famosa série televisiva. No ano passado, Debby Shelton aceitou convite para atuar em Nip/Tuck, outra série da televisão norte americana. 






















        Muitos ainda ouvirão falar em Marisol Malaret Contreras, a pobre garota órfã de Porto Rico que foi eleita Miss Universo 1970.

      Muitos ainda ouvirão falar em Deborah Dale Shelton, ou simplesmente Debbie Shelton, a garota tipo Playboy dos Estados Unidos que foi eleita vice-Miss Universo 1970.

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