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SEJA BEM-VINDO ! SEJA BEM-VINDA! VOCÊ ESTÁ EM PASSARELA CULTURAL, a sua revista on-line semanal, fundada em 02/07/2004. ***** Esta é a edição nº 620, referente ao período de 21 a 27 de maio de 2017. ***** Editor: Daslan Melo Lima ***** Timbaúba, Pernambuco, Brasil ***** Telefones: (81) 99612.0904 (Tim) e (81) 99277.3630 (Claro) ***** WhatsApp: +55 81 99612.0904 ***** E-mail: daslan@terra.com.br

sábado, 5 de maio de 2012

DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO - FERREIRINHA, O GUARDIÃO DOS SEGREDOS DOS VELHOS CABARÉS DE TIMBAÚBA

FERREIRINHA, O GUARDIÃO DOS SEGREDOS DOS VELHOS CABARÉS DE TIMBAÚBA

Daslan Melo Lima
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      “Cuidado! Ferreirinha começou assim!” Essa é uma expressão preconceituosa que ainda se ouve em Timbaúba-PE quando alguém discrimina algum garoto ou adolescente devido a sua suposta homossexualidade. Poucos, no entanto, conhecem o lado humano do Ferreirinha, apelido de  José Ferreira da Silva, natural  do Engenho Pedreiras, Macaparana-PE, o filho de número 17 de uma mãe solteira que sem ter condições de criar os filhos teve de espalhá-los pelo mundo. 

 A MADAME SATÃ DE TIMBAÚBA
 
         Ainda criança, aos 7 anos de idade, Ferreirinha  veio morar em Timbaúba, onde passou a trabalhar nas cozinhas dos cabarés da conhecida Rua das Flores, concentração das mais famosas casas de prostituição da zona da mata norte de Pernambuco, tais como Rosa Branca e Apolo 11. Logo ganhou a simpatia de todos. Ele fala rápido, sempre rindo, de bem com a vida. Não guarda mágoa e nem fotos do passado e dá muitas gargalhadas ao fazer confissões como estas:
 
“Muitas mulheres bonitas viveram na zona de Timbaúba. A mais bonita era Lu Pintada.”
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“Amei muito um cara e quando soube que ele me traía com uma mulher resolvi me vingar. Peguei uma faca e cortei minha perna para pensarem que foi ele que quis me matar. Perdi muito sangue. Mas quando foram levar ele preso, confessei que tinha sido eu que queria me matar. Fizemos as pazes e passamos a noite amando.”
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“Quando alguma mulher da zona queria me prejudicar, eu pegava palitos de fósforos e colocava na comida delas para que se engasgassem. Mas nenhuma chegou a morrer.”
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“Teve homens de família rica que tiraram meninas da zona e casaram com elas. E com elas foram felizes.”
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“Sou filho de Oxum. Gosto de paquerar. Comecei a amar muito cedo. Já amei muito e também fui muito amado.”  
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“Trabalhei  muitos anos como cozinheiro na casa de....., mas só consegui   me aposentar por idade.Tenho minha casinha que é própria e sou feliz.” 
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"Tenho muito orgulho dos troféus e prêmios que recebi nos carnavais, um reconhecimento pelo meu esforço e dedicação ao Maracatu Urubatan". 
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      Ferreirinha adora Carnaval. Fundou o Maracatu Urubatan em 1963 e como líder do mesmo já ganhou vários troféus. Foi um dos homenageados do Carnaval timbaubense de 2012 e seu nome já foi cogitado para disputar o prêmio Memória Viva de Pernambuco. Mora numa casinha simples de varanda, sala, um quarto, banheiro e cozinha, localizada na Rua Henrique Dias, na encosta do Alto Santa Terezinha.

      RUA DAS FLORES X RUA DA LAMA 
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      Já não existem cabarés na antiga Rua das Flores, que também chamavam Rua da Lama. O espaço é um Páteo de Eventos, apelidado por muitos de forroré, mistura de forró com cabaré. Agora em maio, um Parque de Diversões faz a felicidade das crianças que conhecem uma realidade diferente da que viveu a Madame Satã de Timbaúba, a do Ferreirinha que não teve infância.

  "CUIDADO! FERREIRINHA COMEÇOU ASSIM!"
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      Ferreirinha, cuja casa é perto do Páteo de Eventos, levará para o túmulo os segredos  comprometedores que um dia inundaram a Rua das Flores, ou a Rua da Lama. Ele não cita nomes de pessoas importantes, vivas ou mortas, que adoravam os cabarés. Sua atitude é politicamente correta. Diferente do comportamento de quem ainda discrimina algum garoto ou adolescente com a expressão:  “Cuidado! Ferreirinha começou assim!”
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           QUEM FOI A VERDADEIRA MADAME  SATÃ

       Existem muitos pontos em comum entre Ferreirinha e João Francisco dos Santos Sant´Anna, a verdadeira Madame Satã, conforme percebi ao consultar a Wikipédia. Madame Satã nasceu em Glória do Goitá-PE, em 25/02/1900 e morreu no Rio de Janeiro em 11/04/1976.  Criado numa família de 17 irmãos, João Francisco chegou a ser trocado, quando criança, por uma égua. Jovem, foi para o Recife, onde viveu de bicos. Posteriormente, mudou-se para o Rio de Janeiro, indo morar no bairro da Lapa. Analfabeto, o melhor emprego que conseguiu foi o de carregador de marmitas. Mas há quem diga que foi cozinheiro de mão-cheia. Foram fatores de sua marginalização o fato de ser negro, pobre e homossexual.
     Dotado de uma índole irônica e extrovertida, logo pegou gosto pelo carnaval  carioca. Foi assim que, em 1942, ao desfilar no bloco-de- rua Caçador de Veados, surgiu seu apelido. O transformista se apresentou com a fantasia Madame Satã, inspirada em filme homônimo de Cecil B. DeMille. Era freqüentador assíduo do bairro da Lapa, (reduto carioca da malandragem e boemia na década de 1930), onde muitas vezes trabalhou como segurança de casas noturnas. Cuidava que as meretrizes não fossem vítimas de  estupro ou de agressão.
     Foi preso várias vezes, chegando a ficar confinado ao presídio da Ilha Grande.  Freqüentemente, Madame Satã enfrentava a polícia, sendo detido por desacato à autoridade. Exímio  capoeirista, lutou por diversas vezes contra mais de um policial, geralmente em resposta a insultos que tivessem como alvo mendigos, prostitutas, travestis e negros. É considerado uma referência na cultura marginal urbana do Século XX. No ano de 2001, foi rodado no Brasil um filme sobre sua vida, que leva  também o nome de Madame Satã, dirigido por Karin Ainouz, vencedor de diversos prêmios nacionais e internacionais. Nesse filme, João Francisco dos Santos foi interpretado pelo ator Lázaro Ramos.

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MEMÓRIA TIMBAUBENSE

Capa da "Revista de Timbaúba" - Ano de 1932
Página da revista "Informador de Timbaúba" - Ano de 1937
ALMANAQUE DE HISTÓRIA - Recomendo a todos uma visita ao site Almanaque de História, http://www.almanaquedehistoria.blogspot.com.br/ .O blog é editado por Cláudio Roberto de Souza, timbaubense radicado no Recife, Mestrando em História pela Universidade Federal de Pernambuco. Apaixonado pela cidade onde nasceu, Cláudio Roberto adora pesquisar sobre Timbaúba no Arquivo Público do Estado.
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ROTEIRO POÉTICO DE TIMBAÚBA

FESTIVAL DE CORES - O muro verde do Centro de Políticas Sociais e Administrativas é um festival de cores, com obras de arte assinadas por Nem Pernambuco, talentoso artista plástico timbaubense. Até a árvore frondosa deixou de ser vegetal para se incorporar ao festival. 
   
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4 comentários:

Anônimo disse...

Daslan,

Muito bem elaborada a reportagem com Ferreirinha. Ele foi empregado na casa do Sr. José Ferreira(in memorian) por muito tempo.

Quando alguém chegava perguntando por Zé Ferreira, Ferreirinha indagava se era o preto ou branco, pois tanto o patrão como o empregado se chamava Zé Ferreira.

Tranquelino Ferreira Monteiro
Timbaúba-PE

Anônimo disse...

Bela lembrança das misses noivas de maio. Na verdade, maio tem a magia de ser o mês das Mães, das misses mães, e o período consagrado a Virgem Maria, com 30 dias de novenas.

Na minha adolescência, aguardava ansiosamente por este mês. Primeiro para poder ir todas as noites às novenas no Santuário de Nossa Senhora da Conceição, no morro do mesmo nome. E depois pela ansiedade e curiosidade de ficar aguardando as fotos semanais de capa do Diário de Pernambuco, aos domingos, com uma nova candidata a Miss Pernambuco. Isso nos anos sessenta. Lindos anos, belos dias.

Uma semana iluminada ao Daslan e a todos os leitores do Passarela Cultural

Muciolo Ferreira, do Recife

Kênia Rocha disse...

As pinturas no muro ficaram uma verdadeira obra de arte, monstra o que é VIVER COM ARTE, parabéns ao Artista Nem, mas arvore pintada tirou beleza natural que a aquele tronco envelhecido exalava mostrando o que é usar as cores para viver sem arte.

Anônimo disse...

Daslan obrigado pela nossa foto postada em seu blog foi um prazer viajar com você espero ter sido a primeira de várias outras viagens agradece Cida a mãe de Miguel Neto e suas irmãs Laurinda e Rita.