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sábado, 14 de junho de 2014

SESSÃO NOSTALGIA - O único rancor de Gina Macpherson, Miss Brasil 1960

Daslan Melo Lima

PRÓLOGO

      No inicio do mês passado,  no site oglobo.globo.com/, uma matéria de Natasha Mazzacaro,  mostrou como vive hoje  Jean Macpherson, ou melhor, Gina Macpherson, nome pelo qual tornou-se mais conhecida, Miss Guanabara, Miss Brasil e semifinalista no Miss Universo 1960.  A reportagem tocou num assunto que causou polêmica na época:  Gina não teria alcançado uma melhor colocação em Miami Beach por causa de um namoro com um motorista do concurso.  Em primeiro lugar, vou transcrever, na íntegra, a matéria de Natasha Mazzacaro, e no final, no melhor estilo Sessão Nostalgia, apresentarei o motorista.
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São Francisco, a recatada passarela da Miss Brasil 1960 - Alçada ao posto máximo da beleza nacional, Gina MacPherson não pediu a paz mundial, como tantas outras coroadas
Por 
Gina. Dos tempos de concurso, ela preserva a rotina saudável e o andar de miss – Foto: Márcio Alves

NITERÓI — No dia 11 de junho de 1960 — um sábado temperado de meio de outono —, todos os televisores do país estavam ligados. Em frente a eles, amontoavam-se pais e mães de família, crianças e adolescentes, além dos parentes e vizinhos que, porventura, não possuíssem aparelho televisor em casa. Era noite de Miss Brasil e, naquela época, o concurso causava comoção similar a uma final Brasil-Argentina da Copa do Mundo. Do outro lado da tela, 25 mil pessoas fervilhavam no Maracanãzinho, enquanto Gina MacPherson caminhava elegantemente com um vestido branco de alcinha e saia drapeada esvoaçante, que fizeram com que os jornalistas da época a apelidassem de “O Cisne". Ela não lembra muito bem do momento em que foi alçada ao patamar mais alto de beleza feminina do país, mas se recorda da cegueira momentânea causada pelos holofotes e da sensação de embriaguez quando todas as candidatas correram para abraçá-la.

Poucos dias depois, Gina, então com 19 anos, embarcou para Miami, onde disputaria a faixa de Miss Universo e amargaria uma derrota. Com inglês fluente ensinado pela mãe americana e pelo pai escocês e com um corpo longilíneo, ela era tida como a favorita do certame, mas acabou ficando em sexto lugar.

— Eu nem tinha as tais duas polegadas a mais de quadril que haviam desclassificado a Martha Rocha. Eles chegaram a tirar minha foto com a coroa de Miss Universo, mas quem acabou ganhando foi a americana Linda Bement — conta uma Gina ainda esbelta aos 73 anos, e que até hoje caminha como se tivesse uma pilha imaginária de livros sobre a cabeça.

Na verdade, o único rancor que ela guarda daquela época foi justamente o rumor que surgiu para explicar o sexto lugar no Miss Universo. Cada candidata contava com um motorista universitário, que levava as moças para os compromissos externos. Na festa da premiação, Gina deu as mãos e dançou com o seu cicerone e, fotografada, foi acusada de ter perdido a coroa devido a um suposto namorico.

— Fiquei muito chateada porque não era verdade. Eu namorei e aproveitei muito essa época, mas não com ele. Quis voltar direto para o Brasil, porque tive um outro aborrecimento com o cônsul brasileiro, que queria que eu desfilasse de maiô no aeroporto de Miami. Eu era miss, não vedete — frisa.
De volta para casa, Gina conta que viveu “um ano de Cinderela", antes de decidir se afastar dos holofotes e se dedicar integralmente a sua futura família. Naqueles meses, ela ganhou roupas e joias de senhores mais velhos que se plantavam na porta do Hotel Serrador (o hotel das misses). Certa vez, chegaram da Alfândega caixas de bombons e cartas de amor de um admirador americano que Gina nunca chegou a conhecer. O que muitos ignoravam é que, ao contrário das outras moças que brincavam de miss na frente do espelho, Gina nunca tinha pensado em se candidatar até menos de um mês antes daquele 11 de junho.

Recém-saída da escola, ela foi trabalhar como recepcionista da companhia aérea britânica Boac, que funcionava num escritório envidraçado na Cinelândia. Um belo dia, apareceu um rapaz que se prostrou na calçada por três dias seguidos. Ele era um olheiro do Botafogo e convidou a moça para concorrer a Miss Guanabara pelo clube.

— O Miss Guanabara era muito mais concorrido. Uma moça chegou até a dizer que eu não poderia participar, porque até o meu papagaio falava inglês — diverte-se. — Mas isso foi um rio que passou na minha vida. Não me acho fotogênica e, geralmente, não dou entrevistas — justifica ela sobre as negativas aos muitos pedidos da equipe do GLOBO-Niterói, por cerca de nove meses.

Filha de um importador de uísque, Gina nasceu em Icaraí e passou sua infância entre o Rio Cricket, a piscina do Clube de Regatas e os estudos ministrados pela mãe, uma mulher prática que ensinou às três filhas o valor da independência. Talvez por isso, Gina prefira retocar seu portão sozinha, cuidar do seu jardim, em São Francisco, e fazer ela mesma suas unhas e o cabelo. Ela acredita que tenha escolhido uma rotina pacata por causa do frenesi vivido no período dos concursos. Passada essa fase (nem a faixa de Miss Brasil restou: ela foi roubada há alguns anos, na Inglaterra), ela voltou com o ex-namorado e oficial da Marinha Ademar Garcia (falecido há duas décadas), casou-se, teve três filhos que a chamam de mommy (mamãe, em inglês), cinco netos e espera seu primeiro bisneto. Gina era tão assediada que o casal, quando ia ao cinema, “entrava e saía da sala no escuro", lembra.

— Aproveitei aquele ano, e não me arrependo de nada. Meu temperamento não é o do palco iluminado. A velha guarda me reconhece, mas quando a pessoa não tem certeza, nem digo quem eu sou — enfatiza, sempre enérgica, do alto do seu 1,72 de altura e por trás de seus olhos azuis-turquesa.

Hoje, Gina passa seus dias entre caminhadas e aulas de pilates, saladas (“Sou comportada") e seu grupo de amigas. É com elas que a ex-miss Brasil viaja o mundo todo e lagartixeia na piscina do Sailing Club.

— Só tomo remédio para pressão desde os 32 anos, mas não sinto uma dor no corpo. Meu prazer foi ter viajado para mais de 20 países. Mas não moraria em outro lugar, não. Só sou feliz em Niterói — vaticina.

O ÚNICO RANCOR DE GINA MACPHERSON 


NAMORO - O universitário americano Steve Crossmark foi, segundo os nossos enviados especiais, uma das razões por que Jean Macpherson não alcançou melhor colocação em Miam Beach. Preferindo estar em sua companhia, Jean (na foto, com SC) não se promoveu, deixando de comparecer a entrevistas, ensaios e banquetes. O rapaz é boa pinta, como vêem. Mas Jean, afinal, foi representar o Brasil num concurso de beleza, não de namoro. Deixasse os arrulhos para depois. *****  (Primeira página da O Cruzeiro, de 23/07/1960, revista de propriedade do grupo  Diarios e Emissoras Associados, promotor do concurso Miss Brasil. ***** Acervo DML/PASSARELA CULTURAL) 
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ROMANCE EM MIAMI – Em companhia de sua hostess, Miss Brasil prepara-se para tomar o carro oficial do concurso posto à sua disposição. O motorista é Steve Crossmark, universitário, membro de excelente família de Miami Beach. E desse contato de “boa vizinhança” surgiu um romance que Jean Macpherson não procurou esconder. (O Cruzeiro, 23/07/1960. ***** Acervo DML/PASSARELA CULTURAL)

EPÍLOGO


      A bronca pública que O Cruzeiro deu em Gina, sem dúvida, foi muito forte. Daí surgiu o único rancor que a Miss Brasil 1960 guardou do seu reinado. Era o primeiro ano de uma década que mudou a face do planeta Terra. Os valores eram outros, o mundo era outro... De alguma forma, Gina se destacou de forma positiva, como atestam vários textos e imagens postados na mesma edição daquela  revista: Gina sendo madrinha de uma aeronave, vestida de baiana ao lado do prefeito de Miami, posando com a coroa de Miss Universo durante um ensaio, etc. (O Cruzeiro, de 23/07/1960. ***** Acervo DML/PASSARELA CULTURAL)


HOTEL QUIS MOSTRAR PERNAMBUCO A JEAN - Na faixa dos hoteis milionários de Miami Beach, o maior e mais famoso é o Hotel Fontainebleau. Em sua buate “La Ronde” estava sendo encenado o show Estravaganza Latina e Jean Macpherson foi convidada, com uma caravana brasileira, para assistir ao espetáculo. Uma parte era intitulada “Welcome to Pernambuco”, sem frevo mas com samba em ritmo de mambo. Ela foi recebida com palmas, dançando um samba sofisticado com um carioca de imitação. Fez sucesso, a brasileirinha. (O Cruzeiro, 23/07/1960. ***** Acervo DML/PASSARELA CULTURAL)


Gina Macpherson, Miss Guanabara, Miss Brasil 1960. (Foto: O Cruzeiro).

      Torço para que você, Gina Macpherson, eterna Miss Brasil 1960, leia esta Sessão Nostalgia. Quero que saiba que seu nome está na relação das minhas namoradas platônicas. Gina, Miss para sempre Miss, figura inesquecível dos mágicos anos 60, década da qual fui testemunha, sem imaginar que um dia estaria diante de um computador resgatando essas histórias e espalhando-as para o mundo.

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3 comentários:

Anônimo disse...

Realmente,os tempos eram outros...
Adorei esta matéria e quanto ao motorista-gato, uma tentação!

S.-Rio de Janeiro.

Anônimo disse...

para mim, a mais bonita MB:de corpo e rosto.Quanto aos fatos,parece q O Cruzeiro tem razão;afinal,eles estiveram lá,e não inventariam.Mas q foi um reboliço,foi!ainda pequeno ouvia essas histórias,e outras do MB e MU.
Abraços, Japão.

Blogger disse...

Ela era realmente carismática. Agradeço a matéria, há muito buscava notícias sobre Gina, a quem admirava e ainda admiro.