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domingo, 16 de setembro de 2018

SESSÃO NOSTALGIA - Geórgia Quental, Miss Rio Grande do Norte 1962, sensação no treino do Flamengo

Daslan Melo Lima         


         Na primeira semana de janeiro de 1966, a revista Manchete circulou em todo o País trazendo na capa a famosa modelo Geórgia Quental, Miss Rio Grande do Norte, finalista (Top 8) no concurso Miss Brasil 1962. Ela trajava um vestido amarelo de uma coleção parisiense e ao seu lado estavam três jogadores de futebol: Silva, Jaime e Marco Aurélio, craques do Flamengo, Campeão do IV Centenário do Rio de Janeiro. 


Da esquerda para a direita: Silva, Geórgia, Jaime e Marco Aurélio.

       
      O objetivo da visita de Geórgia Quental ao treino do Flamengo, onde causou mais sensação do que Silva, Jaime e Marco Aurélio, foi posar para a matéria "Vida de Manequim", reportagem de Jacinto de Thormes e fotos de Hélio Santos. Em nove páginas, algumas modelos brasileiras famosas falavam do glamour da profissão. Detalhe: A palavra "manequim" na época era muito  popular para designar as mulheres que desfilavam nas passarelas da moda.
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Por onde andam as personagens daquela capa da Manchte?

Geórgia Quental

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Geórgia Quental em foto recente - Facebook

          Bomba no cinema nacional! Em 1963, estreia o filme Boca de Ouro, de Nelson Pereira dos Santos, baseado na obra de Nelson Rodrigues. De repente, uma grã-fina chamada Lúcia abre o vestido e mostra seus seios perfeitos para um bicheiro, interpretado por Jece Valadão. Quem é ela? Georgia Quental, a fenomenal. “Para mim, ela foi um símbolo da Canadá de Luxe na década de 1960”, diz Ruy Castro. (...) 
        Mesmo sendo top na Canadá de Luxe, a moça tinha o sonho de ser Miss Brasil. Em 1962, tentou, representando o Rio Grande do Norte. Não foi classificada entre as três finalistas. No mesmo ano deu uma entrevista para a revista Fatos e Fotos: “Diziam que os juízes estavam com medo que eu fosse me comportar mal nos Estados Unidos ou na Inglaterra. Vivem falando que sou maluca, que não tenho responsabilidade. De certo, acharam que eu não ia aparecer nos programas marcados para a Miss Brasil. Mas isso é injusto”.
          Georgia entrou na Canadá por meio de anúncio de jornal, para ajudar a mãe viúva no orçamento. Fãs tinha, de montão. (... ) Fechou a carreira como manequim muito bem, em Paris, já com quase 40 anos, desfilando para Pierre Balmain.
          Hoje é uma senhora sempre arrumada que pode ser vista (...) no bairro Peixoto, no Rio... Ainda continua a chamar atenção. 
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Fonte: "As musas da Casa Canadá, berço do glamour carioca nos anos 50 e 60". Por Renato Fernandes para a revista Joyce Pascovitc, agosto/2015.
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Detalhe: Geórgia de Lucca Quental, gaúcha de Porto Alegre, nascida em 23/04/1939, aspirava ser Miss Brasil desde 1958, quando era manequim da Casa Canadá, no Rio de Janeiro, então capital do Brasil. Geórgia e sua colega de trabalho Adalgisa Colombo decidiram disputar o Miss Distrito Federal 1958. Mena Fiala, dona da Casa Canadá, resolveu apoiar apenas uma candidata e optou por Adalgisa, que há quatro anos se preparava para isso. Adalgisa Colombo foi eleita Miss Distrito Federal, Miss Brasil e vice-Miss Universo 1958.
      Em 1962, no auge da sua carreira como modelo, Geórgia Quental não tinha abdicado do sonho de ser Miss e resolveu enfrentar os preconceitos. A maioria das garotas candidatas não se conformavam em ter uma modelo profissional como concorrente. Muita gente entendia que a concorrência era desleal, que uma profissional das passarelas não podia disputar um título de Miss. Geórgia se defendia: Se outros países apresentam modelos, por que não podemos fazer o mesmo?   Foi aí que, após ser impedida de concorrer ao Miss Brasília pelo Iate Clube, aceitou convite para disputar o Miss Brasil pelo estado do Rio Grande do Norte.

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Silva

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          Walter Machado da Silva, o Silva, que ficou conhecido no Rio de Janeiro pelo apelido de Batuta, trabalha hoje como organizador de eventos no Flamengo e ainda bate uma bolinha nos masters do rubro-negro. Em 2006, formou-se em Direito e passou a exercer a profissão de advogado. Silva, que nasceu em Ribeirão Preto (SP) no dia 2 de janeiro de 1940, começou a carreira no São Paulo FC. Foi para o Botafogo de Ribeirão e logo despertou o interesse do Corinthians, que o contratou em 1962. Deixou o Corinthians em 1964 para jogar no futebol carioca. Passou primeiro pelo Flamengo e depois pelo Vasco da Gama e Botafogo, por empréstimo. 
     Em 1967, Silva jogava com a camisa do Santos ao lado dos jogadores Pelé, Clodoaldo, Carlos Alberto Torres entre outros. Times pelos quais passou: São, Paulo, Batatais, Botafogo SP, Corinthians, Flamengo, Barcelona (Espanha), Santos, Flamengo, Racing, Vasco, Rio Negro, Atlético Júnior (Colômbia), Tiqueres Flores (Venezuela) e Seleção Brasileira. Silva foi um dos jogadores convocados pelo técnico Vicente Feola para a Copa da Inglaterra em 1966.

      A vida de Silva inspirou Marcelo Schwob a escrever sua biografia.  
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Fonte de pesquisa sobre Silva, Jaime, Marco Aurélio e suas fotos atuais:  terceirotempo.bol.uol.com.br.
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Jaime

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       Jayme Pimenta Valente Filho, o ex-zagueiro Jayme do Flamengo, nasceu no Rio de Janeiro em 20 de junho de 1942. Antes de jogar no Clube de Regatas Flamengo, ele foi jogador de vôlei e Campeão Carioca pelo Sírio-libanês,  em 1958.  Após parar com a bola, tornou-se treinador de futebol. Dirigiu a seleção do Marrocos e clubes do mundo árabe. Comandou também o Mengão em 29 jogos entre 1977 e 1978, além do América, seleção do Catar, seleção do Congo e seleção Olímpica do Brasil. 
      Atualmente segue residindo em sua cidade natal onde é um bem sucedido executivo no campo universitário. Em 2008, trabalhava como diretor e professor do Instituto de Educação Física e Desportos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).  Jornalista formado pela ECO - Escola de Comunicação da UFRJ, com passagens por emissoras como TV Globo, TV Educativa e Jornal O Dia.
       Jayme defendeu com orgulho na Universidade do Porto, em Portugal, sua tese de doutorado em preparação física intitulada "Mario Jorge Lobo Zagallo, entre o Sagrado e o Profano, uma história de vida".  
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Marco Aurélio

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             Marco Aurélio, o Marco Aurélio Saldanha Rocha, goleiro do Flamengo entre 1964 e 1971, onde conquistou o título do IV Centenário, mora hoje na cidade de Maringá, Paraná. Lá, Marco Aurélio, que nasceu em São Paulo no dia 10 de dezembro de 1940, e atualmente está aposentado. Também foi proprietário de uma escolinha de futebol, em Maringá-PR, e trabalhou como funcionário público estadual, atuando como Secretário Estadual de Esportes.
        No estado do Paraná, Marco Aurélio foi revelado pelo Clube Atlético Paranaense, onde teve como companheiro o famoso Vanderlei. O ex-arqueiro também teve passagem pelo Bahia. Um fato interessante é que Marco Aurélio foi o último goleiro profissional a sofrer um gol de Garrincha com a camisa do Botafogo.
         Marco Aurélio é casado com Neusa Maria Lopes Rocha, pai de três filhas (Vanessa, Michelle e Francielle) e avô de Larissa , filha de Vanessa.
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                O trio Misses, Futebol e Carnaval, nesta ordem ou não, já foi o que havia de mais popular no Brasil.  Certas coisas permanecem no inconsciente coletivo por décadas e décadas. Enquanto houver alguém apaixonado pelo assunto, eternas serão as Misses, o Futebol e o Carnaval. 

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sábado, 8 de setembro de 2018

Minha canção desperdiçada



Impressão que o relógio está marcando 
a mesma hora de antigos encontros e encantos.
Trouxe flores abundantes na blusa estampada. 
Trouxe n'alma o desencanto de minha canção desperdiçada.

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 - Daslan Melo Lima, em Garanhuns, Pernambuco, 22/08/2018

DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO - Aline Vicente: “com a graça de Deus, estou vencendo um câncer como se fosse uma coisa comum”


>>>>>>>  Um tumor no útero de 6 cm, detectado em março, conseguiu ser reduzido para 3,5 cm


       Com a voz suave e aquele ar de menina que conquistou os jurados do concurso Garota Verão de Timbaúba 2000, onde obteve o terceiro lugar, Aline Vicente de Medeiros, vendedora, fala da luta que está enfrentando com muita tranquilidade. Filha do potiguar José Raimundo Neride Medeiros e da timbaubense Adeloayne de Fátima Vicente de Medeiros, Aline nasceu em Natal, RN, no dia 26/08/1983. Com o divórcio dos pais, ainda criança, veio morar em Timbaúba, tornando-se aluna do Colégio Timbaubense e depois da Escola Estadual Jornalista Jáder de Andrade (EREMJJA).  Casada com o vigilante Fabiano Amâncio Soares, é mãe de Cauã Matheus Medeiros de Farias, catorze anos, fruto do seu relacionamento anterior com o vendedor Rodrigo Farias da Silva.  
      Calma, ela conta como começou a sua batalha contra um câncer no colo do útero. “Foi tudo muito rápido. Em março deste ano, comecei a ter sangramentos constantes. No começo, pensei que poderia ser algum descontrole no fluxo menstrual. Após os exames de praxe, veio o diagnóstico. O choque foi muito grande. Mantive a serenidade graças ao apoio recebido da minha tia Isís Cunácia Massaro e do seu esposo Altair Massaro, a quem eu mostrava todos os exames. Ambos são médicos, ela é nefrologista e ele ginecologista. Eu mostrava a eles todos os exames. Fiz sessões de quimioterapia no Hospital das Clínicas e radioterapia no Hospital Português. O tumor, que tinha seis centímetros, diminuiu para três centímetros e meio. Serei submetida ainda a uma braquiterapia para queimar e reduzir ainda mais o tumor. A depender do resultado, poderei passar pela retirada do útero e dos ovários. E aí, só depois de cinco anos é que poderei contar com a cura completa. ”     
       Aline Vicente contou desde o início com a solidariedade da comunidade timbaubense. Emocionada ela confessa: “Impossível citar os nomes de tanta gente que me ajudou. Íris Rosendo foi a primeira pessoa a divulgar meu drama nas redes sociais. Também o Genilson, guitarrista da Banda Baby Doll, que teve a ideia de promover um baile beneficente no Tênis Clube.” 
        Finalizando, ao perguntar o que a luta contra o câncer lhe ensinou, Aline respondeu: “Ensinou-me a ter mais fé e a me aproximar mais de Deus. Hoje, ouço muito músicas gospel, recito sempre os Salmos 23 e 91 e sou feliz vivendo cada dia. “

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As contribuições financeiras para ajudar Aline Vicente poderão ser depositadas em sua Conta de Poupança nº 51052-2, Operação 013, Caixa Economia Federal, Agência 0877.
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Por Daslan Melo Lima

Matéria publicada na página de Comportamento da revista TIMBAÚBA EM FOCO, Agosto/2018, Edição 88.

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DE OLHO NO PASSADO - Manchete, Ano 18, Nº 962, 18 de julho de 1970




O CASACO MILIONÁRIO DE LIZ TAYLOR - Muitos homens foram ou são mais ricos do que Richard Burton, mas nenhum deles jamais pagou tanto dinheiro por um casaco de peles para sua mulher. A peça, confeccionada com as peles de 42 kojahs, custou 125 mil dólares, ou cerca de Cr$ 625 mil, e não tem similar à venda em nenhum lugar do mundo. ***** Foto de John Haynsworth.

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UM MILHÃO DE FUSCAS - Para fabricar um milhão de automóveis, a Volkswagen brasileira precisou de doze anos e quatro meses. Para fabricar o segundo milhão, ela terá necessidade de trabalhar apenas três anos e meio, produzindo mais de mil carros por dia. Hoje, ela faz 980, dando trabalho a mais de 22 mil pessoas nos 400 mil metros quadrados de fábrica, no Quilometro 23 da Via Anchieta. É a maior fábrica de automóveis da América Latina e o maior investimento alemão fora da Alemanha. - Texto de Joelmir Beting

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O CAMPEÃO QUE FOI PARA O FRIO - Lá fora o frio está de rachar. Mas a lareira está acesa e bom mesmo é ficar no sofá, mãos dadas embaixo do cobertor, olhando as chamas se beijarem, a madeira estalando, o tempo passando, os outros jogando, a Terra girando. É a vida que ele pediu a Deus: comer e dormir, dormir e comer, sem olhar a hora, o coração quente, a mulher amada, dinheiro no banco, Opala na porta, tricampeão. Nunca o menino Roberto poderia imaginar tanta coisa junta, quando chutou a sua primeira bola. De vez em quando ele esfrega os olhos para ver se é realidade mesmo. E é. ***** Roberto Rivelino e Maísa Gazola, lua de mel em Campos do Jordão. ***** Reportagem de Aníbal Pereira Filho.

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MIAMI, O UNIVERSO DAS MISSES - Entre as 64 concorrentes ao título de Miss Universo 1970, Eliane Fialho Thompsom, Miss Brasil, de maiô verde, e  Deborah Dale Shelton, a Debbie Shelton,  Miss Estados Unidos, de amarelo, grande favorita ao título.  A brasileira foi semifinalista (Top 15) e a norte-americana conquistou o segundo lugar, perdendo para Marisol Malaret Contreras, Miss Porto Rico. 
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SESSÃO NOSTALGIA - Nilda Medeiros, Miss Pará 1963, Ioga na Caatinga

Daslan Melo Lima



Nilda Medeiros, Miss Pará 1963 Irmã de Gilda Medeiros, Miss Pará e terceira colocada no Miss Brasil 1955, Nilda Medeiros foi uma das mais fortes candidatas ao titulo de Miss Brasil 1963, onde obteve classificação entre as oito finalistas. 
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       Túnel do tempo, dezembro de 1965. Brejo da Madre de Deus, município do agreste pernambucano, a 196 quilômetros do Recife. No distrito de Fazenda Nova, onde se realiza anualmente o espetáculo da Paixão de Cristo da Nova Jerusalém, Nilda Medeiros se deixou fotografar fazendo posições de Ioga. Tudo foi documentado por Alexandrino Rocha e Nélson Santos, em reportagem  de duas páginas da revista Manchete, Ano 13, Número 715, 1º de janeiro de 1966.     
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Nilda Medeiros, Miss Pará 1963, resolveu fazer Ioga em pleno sertão pernambucano, em Fazenda Nova, perto de Caruaru. E, enquanto se contorcia nas mais estranhas posições, em busca da paz absoluta, deixou irrequietos os circunstantes, entusiasmados em aderir a esta prática.  

          Imaginem um desses poetas populares, que fazem a delícia das feiras do Nordeste recitando sua pitoresca literatura de cordel, ao deparar com estas cenas. Certamente, passado o primeiro instante de espanto, logo comporia uns versos, começando por dizer que "já vi de tudo nesse mundo, mas nunca tinha visto moça se enroscar que nem serpente, nas pedras, lá pras bandas do sertão..."
         De fato, debaixo daquele sol de esturricar, e sobre aquele solo exótico dos xiquexiques, mandacarus e cactos, já desfilaram beatos e  taumaturgos de todas as tonalidades. Mas ninguém, até agora, tivera a ideia de praticar, naquele ambiente que parece mais inspirar místicas agressivas, a tranquila e serena filosofia Ioga. A inovação coube a Nilda Medeiros, Miss Pará de 1963, que exercita a Hatha-Ioga, para manter suas belas formas, relaxar os nervos e, segundo afirma, conservar a mente isenta de maus pensamentos. 
          Ao visitar sua irmã, Gilda Medeiros, que atua no filme Riacho de Sangue, rodado em Fazenda Nova, em pleno agreste pernambucano, Nilda não teve dúvida: deu seu show de contorcionismo, ganhando para a Ioga novos e entusiasmados adeptos. 

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           O que significa Hatha-Yoga? "Ha"quer dizer sol, representado pelo sol do seu corpo, a sua alma. "Tha" significa lua, que representa a sua consciência, a sua mente. Hatha Yoga é a busca do equilíbrio entre as forças solar e lunar, respectivamente masculina e feminina. Tudo muito belo e místico, como a imagem de Nilda Medeiros, eterna Miss Pará 1963, em Fazenda Nova, naquele dezembro de 1965.

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segunda-feira, 3 de setembro de 2018

É setembro outra vez

            

          Uma mulher passa devagar sob a chuva fina, enquanto prossigo minha caminhada captando a musicalidade existente no nome do nono mês do ano: se-tem-bro, se/e/tem/bro/o, setembro... 
          Alguns dos meus sonhos de menino perfumam a expectativa do saldo do tempo que o destino me reserva. Abraço as cores que neutralizam o cinza desta manhã de domingo e sinto minh'alma renovada.            
          É setembro outra vez. Amém. Assim Seja. 
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- Daslan Melo Lima, se-tem-bro, se/e/tem/bro/o, setembro em Timbaúba, Pernambuco.

MEMÓRIAS DE SÃO JOSÉ DA LAJE - Cotia Queimada, o caminho de volta

       


         Fecho os olhos, busco ouvir o silêncio e tento escutar vozes de um tempo que se foi. Dentro da casa, Gustavo Souza Melo (Seu Xeu) e Honorina de Araújo Lima (Vovó Lulu), meus avós maternos, conversam sobre as tarefas do dia a dia. No açude, Ana, minha mãe, toma banho ao lado dos irmãos Luiz, Lizete, José, Antônio, Argemiro, Agenor, Manoel e Soledade. Logo mais, Mamãe e os demais irão andar quase três quilômetros para chegar à escola no centro da cidade.
          O silêncio não colabora. Desisto e vou embora. Logo em seguida, tenho a impressão que minha mãe, meus tios e tias estão chamando meu nome. Penso em voltar, mas minhas lágrimas não permitem enxergar o caminho de volta. 
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- Daslan Melo Lima, no Sítio Cotia Queimada, São José da Laje, Alagoas, 22 de agosto de 2018.

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DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO - Grande Bazar x Arretados do Pagode


GRANDE BAZAR BENEFICENTE - Dia 05, quarta-feira, Grande Bazar em frente à Igreja de Nossa Senhora das Dores, das 08:00 às 17:00 horas. Colabore conosco doando qualquer coisa que possamos vender. Esperamos todos! Quem quiser doar é só deixar na Secretaria Paroquial até esta terça-feira, dia 04. 

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OS ARRETADOS (Arretados do Pagode) - Neste feriado de 07 de setembro, sexta-feira, às 14 horas, na AABB. Gravação do Cd "Anos 90".

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SESSÃO NOSTALGIA - A Miss e o perfume de uma época


Daslan Melo Lima

         Foi no livro Prosa Breve, uma coletânea de crônicas do jornalista pernambucano Jorge Abrantes (1917-1961), editado pela Associação da Imprensa de Pernambuco, Recife, PE-1976, que encontrei o texto abaixo. Para enriquecer mais esta Sessão Nostalgia, inseri imagens das misses citadas na deliciosa crônica com legendas esclarecedoras. O texto do Jorge Abrantes foi originalmente publicado na secção “Boa Tarde", no jornal Diário da Noite, Recife, PE, em 05 de fevereiro de 1952.

A MISS

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Marie Delphine Caillet, a Didi Caillet (1907-1982), Miss Paraná, Vice-Miss Brasil 1929.
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          “A casa mais bonita que vi em Caiubá foi a de Didi Callet, hoje viúva de um dos grandes industriais do mate”. Isto escreveu Rubem Braga em uma das crônicas que nos está mandando do Paraná. E aquele nome fez-me recuar à infância e a uma fase específica da vida social brasileira e do mundo. 1929. Vitrolas. Agonia do cinema mudo. Concursos de beleza. Houve um em Galveston – e incluí esse nome em minha geografia. Era uma praia como Palm Beach, mas isso já me lembrava um tipo de tecido em voga para homens. É claro que eu não participava ativamente dessas coisas, mas minha memória anotava as referências mais importantes. Assim fazem as crianças que, incapazes ainda de assimilar a essência de uma época, decoram-lhe as etiquetas: nomes de personalidades dominantes, ditos, marcas, fórmulas – todo um material de futuras lembranças.

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Ingeborg von Grinberger, da Áustria, e não da Hungria, como foi citada na crônica de Jorge Abrantes, candidata ao título de Miss Europa 1930.  
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Olga Bergamini de Sá, Miss Distrito Federal (Rio de Janeiro), eleita Miss Brasil 1929, disputou o título de Miss Universo 1929, realizado em Galveston, Texas, Estados Unidos.  
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Yolanda Pereira, Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil, eleita Miss Universo 1930 no concurso internacional de beleza realizado no Rio de Janeiro.  
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          Lembro-me vagamente das fotografias das misses de um concurso internacional de beleza. E dos nomes. Havia uma Ingeborg, da Hungria.... Um desses concursos realizou-se no Brasil. E a vencedora uma brasileira. Gaúcha. Bergamini no nome. E eu associava seu nome ao de um prefeito do Distrito Federal: Adolfo Bergamini.

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Didi Caillet, Miss Paraná, Vice-Miss Brasil 1929 e Rainha dos Estudantes 1931, fotografada no Baile Oficial de Carnaval do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Revista A Noite Ilustrada, 12 de fevereiro de 1932.  
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          Num dos concursos nacionais, preliminares desses maiores, surgiu certa vez esse nome: Didi Callet (na minha memória era Caillet). Longínqua beleza paranaense. Pinheiros... Todos os outros nomes escaparam. Este ficou. E agora Rubem Braga o restitui. É viúva de um dos grandes industriais do mate. Não havia metade em minha lembrança. Nem viuvez nela. Era uma miss. E eu um pobre menino curioso. Que colecionava nomes. Que eram – que são – o esquisito perfume de uma época.  
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          Quando comprei o livro "Prosa Breve" há dois meses, num "sebo" recifense, não pensei que encontraria uma crônica falando sobre misses. Mas que bom que encontrei, graças à sensibilidade de Jorge Abrantes, um menino nascido em São José do Egito,  sertão pernambucano, e criado no Recife, que colecionava nomes. "Que eram – que são – o esquisito perfume de uma época."

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sábado, 25 de agosto de 2018

"Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos"


O essencial 


          Na praça que homenageia um ícone nordestino, Padre Cícero, uma Ceiba glaziovii, nome científico da "barriguda", dá um show de beleza e fotogenia nesta época do ano, quando suas flores bailam ao vento. 
      Parecida com um "baobá", a árvore personagem do livro "O Pequeno Príncipe", a "barriguda" da terra onde nasci me leva a mergulhar em uma citação famosa de Antoine de Saint-Exupèry: "Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos." 
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Daslan Melo Lima, em São José da Laje, Alagoas, 23/08/2018
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Minha vida de vaqueiro

          "Assim que seu tio descer e entrar na casa do seu avô, suba rápido no cavalo e vá ganhar o mundo como vaqueiro", soprou no meu ouvido de menino a voz de um anjo travesso invisível. Obedeci e logo me arrependi. Quando o animal deu o primeiro passo, tremi de medo e pedi socorro. O tio Luiz fez uma advertência e ali começava e terminava minha vida de vaqueiro. 


            Anteontem, a mesma voz ordenou que eu subisse num cavalo artificial. Obedeci na ilusão de que meu saudoso tio viria ao meu encontro. Depois que lhe pedisse perdão, envolvido em seu abraço, eu administraria mais uma emoção inacabada. 
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Daslan Melo Lima, em São José da Laje, Alagoas, 22/08/2018
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Terra da Passagem, só sentimento

          Como já não há mais trens indo e vindo de Maceió para o Recife, e do Recife para Maceió, permito-me sentar na estrada de ferro que passa na antiga Rua das Laranjeiras. 
          "Terra da Passagem", eis o que leio no muro, ao primeiro olhar, ignorando que duas letras dão outro sentido à pichação. Passagem, nome do bairro e da rua transversal onde morei, Rua Passagem de Maceió, gravado também em meu coração. 
         Enquanto isto, o vento espalha ao meu redor um texto da poetisa Adélia Prado. "Um trem de ferro é uma coisa mecânica, mas atravessa a noite, a madrugada, o dia, atravessou minha vida, virou só sentimento."
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Daslan Melo Lima, em São José da Laje, Alagoas, 23/08/2018

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