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sábado, 22 de junho de 2013

SESSÃO NOSTALGIA – MISSES, AS MEMÓRIAS DE ARTUR XEXÉO

Daslan Melo Lima
 
   

Artur Xexéo
       










          No dia 18 de setembro de 2011, o jornalista Artur Xexéo publicou um texto excelente, impregnado de nostalgia, em sua coluna da Revista O Globo, evocando suas lembranças em torno do concurso Miss Brasil. Artur Xexéo  nasceu no Rio de Janeiro, em 1952. É jornalista formado em Comunicação Social pelas Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha/SP). Trabalhou nas revistas Veja (SP),  IstoÉ (SP) e Jornal do Brasil.  Mantém uma coluna no jornal O Globo (RJ), onde escreve duas vezes por semana, às quartas-feiras e aos domingos, e exerce a função de editor do Segundo Caderno. Escreve, também, um blog no site do jornal – o Blog do XeXéo. É, ainda, comentarista da rádio CBN (RJ) e do programa Estúdio i, da Globo News (RJ).  Escreveu os livros Janete Clair – A Usineira dos Sonhos (Relume Dumará, 1996), uma minibiografia da novelista, e O torcedor Acidental (Rocco, 2010), uma coleção de crônicas sobre os bastidores das coberturas que fez das Copas do Mundo de Futebol.

 
      A crônica de Artur Xexéo causou repercussão e fez com que ele voltasse ao assunto na semana seguinte. Nesta secção Sessão Nostalgia, ao transcrever ambas as crônicas do jornalista, tomei a providência de ilustrá-las com imagens de algumas misses mencionadas nos textos. Também teço comentários especiais sobre o que ele escreveu, esclarecendo algumas observações do autor.
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     MISSES, crônica de Artur Xexéo, coluna da Revista O Globo, 18/09/2011
Geórgia Quental











Eu me lembro de Maria Augusta batendo com uma bengala na passarela para indicar o que as misses deveriam fazer. Eu me lembro do Maracanãzinho lotado. Eu me lembro que os apresentadores eram Paulo Max e Marly Bueno.  Eu me lembro de Georgia Quental, a Miss Flamengo que foi desclassificada porque já tinha desfilado profissionalmente. Eu me lembro que a Miss Renascença Aizita Nascimento foi a primeira negra a participar do concurso. Só não me lembro se ela ganhou. Acho que não. Eu me lembro que, na semana seguinte ao concurso de Miss Universo, “O Cruzeiro” sempre trazia uma reportagem com a eleita tomando café da manhã na praia. De maiô, cetro e coroa, é claro. Eu me lembro dos maiôs Catalina. Eu me lembro de Gina MacPherson — Miss Botafogo, Miss Guanabara, Miss Brasil —, que provocou escândalo ao namorar o motorista que estava à sua disposição em Miami. Eu me lembro que o Miss Universo era em Miami, o Miss Beleza Internacional em Long Beach e o Miss Mundo em Londres.   Eu me lembro que a coroa sempre caía da cabeça da Miss Brasil.  Eu me lembro que lá em casa a torcida era sempre para a Miss Rio Grande do Sul, mas eu, que já era do contra, preferia a Miss Guanabara.
Julieta Strausz











Eu me lembro do tempo em que o concurso de miss era só um quadro do “Programa Silvio Santos”, e que a gente $com a impressão de que, a qualquer momento, ele iria gritar: “Quem quer dinheiro?” Eu me lembro da Rainha do Café Julieta Strauss, que não era miss, mas era como se fosse. Eu me lembro que o traje típico de Miss São Paulo era sempre colhedora de café.  Eu me lembro da mineira Maria Stael Abelha, que renunciou ao título de Miss Brasil para se casar. Eu me lembro das irmãs gêmeas Elizabeth e Ana Cristina Ridzi disputando o Miss Guanabara. Como decidir qual era a mais bonita?
Eu me lembro da gaúcha Ieda Maria Vargas ganhando, finalmente, o Miss Universo. Alguns anos depois, a baiana Martha Vasconcellos levou o título. E, quando a gente já pensava que era uma espécie de Venezuela, nunca mais chegamos lá. Ieda virou uma apresentadora de TV famosa no Rio Grande do Sul. Martha Vasconcellos... que fim levou Martha Vasconcellos? Eu me lembro de Vera Fischer quando ela ainda era Miss Santa Catarina. Eu me lembro que a primeira Miss Brasília era uma empregada doméstica. Eu me lembro que todas liam “O Pequeno Príncipe”. Eu me lembro da Miss Grécia Corinna Tsopei, que foi Miss Universo e, depois, interpretou uma índia sioux no filme “Um homem chamado Cavalo”.
E por que eu estou me lembrando disso tudo? Porque eu acho que vou sempre me lembrar de Miss Angola ganhando o Miss Universo no Brasil.
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ObservaçãoGeórgia Quental era uma modelo famosa e sua inscrição não foi aceita para participar do Miss Guanabara 1960. Dois anos depois, representou o Rio Grande do Norte no Miss Brasil 1962   e obteve o sétimo lugar. ***** Aizita Nascimento ficou em sexto lugar no Miss Gunanabara 1963. Antes dela, Dirce Machado, mulata do Clube Renascença, participou do Miss Guanabara 1960 e ficou na quarta colocação. Na crônica a seguir, o Artur Xexéo toca nesse assunto. ***** A primeira jovem a ser eleita Miss Brasília, com direito a representar o Distrito Federal no Miss Brasil,  foi Martha Garcia, em 1959. A empregada doméstica citada na matéria é  Anísia Gasparina da Fonseca, eleita Miss Brasília em 1967, quarta colocada no Miss Brasil.  ***** Julieta Strausz, Miss São Paulo 1962, foi vice-Miss Brasil e representou o país no Miss Beleza Internacional.
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Marisol Malaret Contreras, Miss Porto Rico, Miss Universo 1970.
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Lorraine Downes, Miss Nova Zelândia, Miss Universo 1983. 
A revista O Cruzeiro e outras publicações postavam fotos das jovens eleitas Miss Universo tomando seu primeiro café da manhã como rainhas, em seus apartamentos no hotel onde estavam hospedadas, ainda na cama, de faixa e coroa. Depois, elas iam para a praia e posavam para os fotógrafos de faixa, coroa, cetro e troféu. 
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PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE ALGUMAS MISSES, crônica de Artur Xexéo, coluna da Revista O Globo, 21/09/2011
     
Marta Rocha
      

















          Dizem que o Brasil tem 190 milhões de técnicos de futebol. Este número varia de acordo com a atualização da população do país. Houve um tempo em que tínhamos também 60 milhões de especialistas em misses. A população brasileira era bem menor. O que eu descobri esta semana foi que todos esses 60 milhões de especialistas continuam em atividade. E muitos deles me escreveram depois que dediquei a coluna do último domingo às minhas lembranças dos certames — era assim que a gente dizia naquela época — que escolhiam as misses Guanabara, Brasil, Universo...
 
      A maioria reclamava de o texto não citar Marta Rocha. Foi o que fez, por exemplo, Wilméa Silva Ramos: “Fiquei surpresa ao notar que você escreveu sobre as misses do Brasil e não citou a mais famosa de todas: Marta Rocha. Marta Rocha foi sucesso internacional pela beleza, pela simpatia, pelos lindos olhos e pelo lindo sorriso. O sucesso alcançado por Marta Rocha é que justifica o concurso de misses ainda existir no Brasil. Gostaria de saber por que você a esqueceu!!!”
 
      Não me esqueci de Marta Rocha. Ninguém se esquece de Marta Rocha. Acontece que escrevi sobre minhas lembranças, e, para mim, o concurso (ou certame) só começa quando é realizado no Maracanãzinho. Marta é do tempo de desfiles no Hotel Quitandinha, em Petrópolis. Quando me dei conta de mim, Marta Rocha já era “a eterna Miss Brasil”. Eu me lembro que ela se casou com Ronaldo Xavier de Lima, que era da turma da Miguel Lemos e que, de vez em quando, a levava para comer uma pizza brotinho no Tommy’s, ali na esquina de Miguel com Ayres Saldanha. Eu me lembro que, em seu apartamento na Avenida Atlântica, já separada, Marta transformou um cômodo em boate. Eu me lembro que ela levou um golpe financeiro das Casas Piano, se aposentou da vida social e foi morar em Volta Redonda.
Vera Lúcia Couto Santos
      










          O leitor Oleg Franco também não perdoa: “Penso que você foi injusto com Miss Vera Lúcia Couto dos Santos. Sim, foi ela que em 1964 quebrou todos os tabus, tornando-se a primeira negra a se classificar em um certame (viu como se falava assim?) de beleza internacional. Vera fez o mais arrebatador desfile no Maracanãzinho com os seus famosos pivôs que faziam a platéia gritar ‘olé, olé!’. Seu traje típico era o ‘Samba, sinfonia de três raças’, de Evandro de Castro Lima. Seu vestido de gala tinha 1.400 pérolas. Ela ficou em terceiro lugar no Miss Beleza Internacional, em Long Beach, onde também foi eleita Miss Fotogenia. Foi a primeira ‘colored’, como se dizia na época, a se classificar. Depois dela, quatro negras já foram Miss Universo.”
      Eu apenas quis destacar o pioneirismo de Aizita Nascimento (se bem que ela nem foi pioneira, como se verá daqui a pouco). Mas é claro que eu me lembro de Vera Lucia Couto. Eu me lembro que ela foi a inspiração de João Roberto Kelly para compor a marchinha de carnaval “Mulata bossa nova”. Eu me lembro que ela ganhou o Miss Renascença em 1965, quando a favorita era Esmeralda Barros. Eu me lembro que, até pouco tempo, Vera Lucia trabalhava na Riotur. Eu me lembro que, no Miss Brasil, o Maracanãzinho dividiu-se entre Vera, a Miss Guanabara, e Angela Vasconcellos, a representante do Paraná, e gritava: “Guaraná!”. Eu me lembro que a Paraná ganhou. Eu me lembro que Angela Vasconcelos usava óculos.
E, para encerrar esse papo Catalina, vários leitores me corrigiram, lembrando que a primeira miss negra foi Dirce Machado, que, em 1960, tirou quarto lugar no Miss Guanabara.

Aizita Nascimento


Dirce Machado
      


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 Observação: Vera Lúcia  Couto Santos ganhou o Miss Renascença em 1964 e Esmeralda Barros foi sua vice. Segunda colocada no Miss Brasil, Vera     conseguiu o terceiro lugar no Miss Beleza Internacional.                                                             
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      Timbaúba, Pernambuco, noite fria e chuvosa de 22 de junho de 2013, talvez não tão fria e chuvosa como há 50 anos. Como Artur Xexéo e eu somos de uma geração que conheceu os anos dourados do concurso Miss Brasil, ele deve também estar lembrado que  em  22 de junho de 1963,  no Maracanãzinho, Rio de Janeiro, foi realizado o concurso Miss Brasil 1963. Na capa da revista Manchete, o Top 3 daquele certame histórico: Ieda Maria Vargas (Miss Rio Grande do Sul, com a coroa, faixa, manto e cetro de Miss Brasil 1963, eleita Miss Universo em Miami Bach, Estados Unidos); a loura Tânia Mara Franco de Souza (Miss Paraná, segundo lugar, semifinalista no Miss Beleza Internacional, em Long Beach, Estados Unidos) e Vera Lúcia Ferreira Maia (Miss Guanabara, terceira colocada, semifinalista no Miss Mundo, em Londres, Inglaterra).
      Os meninos que um dia eu e Artur Xexéo fomos, ao olhar para a imagem acima, soltam risos irônicos para os homens que hoje somos. Enquanto envelhecemos, Ieda, Tania e Vera continuam sorrindo para nós, eternamente jovens, meio século depois.

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2 comentários:

Anônimo disse...

Eu me lembro do primeiro texto do Artur Xexéo, mas desconhecia o segundo.

Você não imagina como gostei de ler isso e a ideia que vc teve de postar isso com ilustrações e ainda tecer obbservações esclarecedoras foi td de bom!

Parabéns por este trabalho de resgate que vc faz, tudo de forma tão carinhosa e respeitosa.

C.Rocha de Floripa

Anônimo disse...


Crônica boa do Artur Xexéo. Mas ele tropeçou em alguams datas e nomes. Ainda bem que o Daslan consertou para melhor exclarecer aos seus leitores. Abraços,
muciolo ferreira